terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O ano da Júlia


Do tio César

2009: O ano da Júlia


Et voilà, cá estamos no novo ano. As previsões foram superadas. Estes dias deram tempo para tudo. Para organizar a festa da passagem de ano, para dançar, para comer bem e muito, para provar novos vinhos, para tocar e abraçar os amigos, para rir, rir e rir muito até perder o ar, para sentir aJúlia mexer, para subir e descer as calçadas do Porto, para observar os troncos despidos das árvores, para contemplar o mar agitado, para organizar roupas de bebé, para conversar até de madrugada, para partilhar afectos, para ouvir fado, para fotografar grafitis, para sermos de novo crianças, para nos perdermos nos cafés, para espreitarmos as lojas, para nos abrigarmos da chuva forte, para irmos a museus, para fazermos planos, para nos esquecermos da vida. Que vontade de congelar o tempo!
Resta-nos recordar e esperar que 2009 continue tão bem como começou.
http://oamorpelascoisasbelas.blogspot.pt/2009/01/2009-o-ano-da-jlia.html

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ainda a amamentação: um episódio no Centro de Saúde de Avintes

Isto passou-se comigo.

Conto isto a pensar em todas as mães que são acompanhadas pelos médicos de família e que deixam de amamentar por “ordem” dos mesmos.
Ora, o que aconteceu é que fui a uma consulta e pedi à médica para me passar um papelucho, para entregar ao meu patrão, que certificasse que ainda estou a amamentar. A Júlia tem agora 15 meses, continua a ser amamentada, pretendo manter a amamentação até aos dois anos e a verdade é que ela tem tido uma saúde de ferro, frequenta o infantário desde os seis meses e esteve doente uma vez (1dia). É uma criança muito tranquila. Estou por isso e por outros motivos convencida que o leite materno é de facto a maior prenda que podia dar à minha filha (sim, melhor que o carrinho de três rodas, que o kit mais completo de cremes ou a pulseirinha em ouro!)

A conversa decorreu mais ou menos nestes termos:
(Chamo-lhe Dra. X porque entendo que os objectivos do meu "esforço diplomático" são de ajudar a mudar de atitude, não de denúncia de uma profissional que apesar de não muito competente me parece bem intencionada. Digo eu, agora a frio.)
Dra. "X" - Mas para que é que está a amamentar? Já não lhe disse que já não é para amamentar? O seu leite já não tem os nutrientes que a sua filha precisa…
Mãe – Não. Eu nunca fui consultada por si. De qualquer maneira, estou a amamentar porque estou convencida que isso é importante para a saúde da minha filha. Para além disso dou-lhe, é claro, outros alimentos para além do leite e às vezes também lhe dou leite de vaca depois de amamentar. Tentei desde a gravidez documentar-me sobre o assunto e por tudo que li fiquei convencida a amamentar pelo menos até aos dois anos. Sei que as opiniões médicas podem variar mas há médicos que defendem a importância da amamentação pelo menos até aos dois anos e eu penso que têm bons argumentos para isso.
Dra. X - Então porque não vai pedir a esses médicos um papel a certificar que está a amamentar?
Mãe – Se a Dra. não mo passar é o que farei. (Pensamento: depois de passar ali pelo livro de reclamações, é claro: estou a dar de mamar e a lei permite-me ter redução de horário para isso, a Dra. só tem de aferir se é verdade, trouxe a Júlia para o caso de querer confirmar)
Dra. X – É que compreenda, eu posso ter de justificar porque é que vai continuar a dar de mamar (as palavras exactas já não me lembro bem mas a lógica era: eu passo o papel, estou a dar o meu aval a essa aberração gastronómica, vem a ministra da saúde pedir-me explicações e eu tenho de me salvaguardar…)
Mãe – Senhora Dra. a minha filha entrou para o infantário aos seis meses, esteve doente uma vez. É muito frequente ouvir falar de crianças assim? Eu só conheço casos assim em crianças amamentadas até tarde. Penso que não é coincidência. Aliás a Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação pelo menos até aos dois anos.
Dra. X – Ai sim?... Não tenho conhecimento. Nem é isso que ouço nos congressos a que vou. Bem não tenho ido a muitos, é verdade (isto parece uma anedota mas ela disse isto, até estou com pena da Sra. a escrever isto, a sério). Mas vou ver se a Organização Mundial de Saúde diz isso.
(Lá passou o papel, falou-se de outros assuntos… E agora o motivo pelo qual estou a exigir uma condecoração pelo meu auto-controle e diplomacia porque na verdade me apeteceu apertar-he o pescoço desde a primeira frase: “Já não lhe disse que não é para dar de mamar!”)
Mãe - Dra. peço desculpa , não quero pôr em causa a sua autoridade como médica mas de facto amamento convencida de que estou a fazer o melhor para a minha filha, faço-o por profunda convicção. Aliás no curso de preparação para o parto o Enfermeiro Vítor também o diz…
Dra. X – Ai sim? Tudo bem, não há problema. Eu vou pesquisar.
(isto eu disse não porque seja hipócrita mas porque penso que é sempre melhor agir de forma positiva, porque de facto gostaria que ela fosse pesquisar sobre o que diz a Organização Mundial de Saúde porque de facto eu protejo-me mas há mães que estão intelectual e emocionalmente mais indefesas e há crianças que vão sofrer se esta médica não deixar de dizer o que diz)


Assinado: Psicopata da mama

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Post Scriptum - amamentação


Pensando em todas as pré-mamãs que vêm aqui parar e nas amigas que têm engravidado ou que pensam engravidar, tenho pensado, ao longo destes oito meses que passaram desde que a Júlia nasceu, em partilhar a minha experiência. Há vários temas que tentarei com tempo abordar aqui, assim os curtos sonos da miúda mo permitam...

Amamentação
É o primeiro tema por ser, para mim, o mais importante. Sempre pensei que, se um dia tivesse um filho gostaria de amamentar, se tivesse leite. Penso que este sentimento é partilhado pela maioria das mulheres que engravidam. O que poucas sabem é que (quase) não existe isso de não ter leite. Primeiro há que pensar: quero ou não quero amamentar?
E, se se quer, há que procurar saber como. Pois tudo depende da segurança e persistência com que se encara a questão. Primeiro grande conselho, se gostariam de amamentar: LEIAM ESTE LIVRO, está lá tudo.


Devo à sua leitura o facto de ter uma bebé de 8 meses que continua a ser amamentada.
Há outro, do mesmo autor e sobre o mesmo tema, à venda neste site:
SOS Amamentação
Essa instituição tem uma linha telefónica que funciona 24 horas por dia e que, tenho ouvido dizer, presta um excelente serviço de apoio às mães que querem amamentar.
Também poderão encontrar excelente informação aqui.
É que apesar de amamentar ser natural não é naturalmente fácil, ou pelo menos não o é na grande maioria dos casos. Má posição do bebé, mamilos gretados, ingurgitamento mamário,pensar que leite é insuficiente… Estes são apenas alguns dos problemas que levam as pessoas a desistir…
Na verdade, basta pensarmos que a invenção do leite adaptado é muito recente e que até aí todos os bebés eram amamentados. E como não havia alternativa, mesmo quando as coisas corriam mal, aquilo que as pessoas faziam eram insistir, insistir, insistir. E como quando mais se estimula mais leite se produz, todas as mulheres tinham leite e todos os bebés eram amamentados, alguns em exclusivo até 1 ano de idade!
Com a invenção do leite adaptado e um certa ignorância acerca das suas desvantagens, a geração das nossas mães deixou de amamentar. Há que lembrar que a geração dos nossos pais é muitas vezes uma geração de migradores. Encontravam-se longe das suas comunidades de origem, longe das suas mães, tias e avós. E dessa forma não tinham o apoio dessas mães experientes acerca de como posicionar o bebé, frequência das tomas, formas de evitar as gretas, aumentar a produção de leite… E foi assim que grande parte da nossa geração se criou a leite da farmácia. E dirão vocês: “e estamos aqui, não estamos?” Estamos. Por exemplo, com o maior índice de alergias de todos os tempos…
Poderia estar horas a falar disto. Mas tudo isto e muito mais e melhor diz o amigo González no livro que acima vos recomendo. É a minha Biblia da amamentação, uma espécie de livro de cabeceira que consulto inúmeras vezes, sempre que surgem dúvidas e inseguranças. E surgem muitas vezes…
Agora, a minha experiência e... Desculpem a presunção, aqui vai:
Porque é que eu faço questão de amamentar?
- porque acredito que é o alimento mais equilibrado e completo;
- porque acredito mais em milhões de anos de evolução biológica do que em centenas de evolução científica;
- porque acredito que não causa problemas digestivos, nem intestinais no frágil bebé;
- porque acredito que ajuda a proteger o bebé de doenças infecciosas (ao nascer e à medida que vai crescendo, em especial quando entra para o infantário, com seis meses, com um ano, com um ano e meio, com dois anos…);
- porque acredito que é a refeição mais equilibrada que há para o bebé, primeiro mata a sede, depois dá a “sustança” que ele precisa e vai também evoluindo ao longo dos meses;
- porque é um enorme prazer, tão doce e tão bom, para mim e para minha Júlia;
- porque é mais prático, a qualquer hora, em qualquer lugar, o bebé pede, a mãe dá, e rápido;
- porque acredito que esta rapidez evita ansiedade no bebé que não tem de ficar a chorar de fome enquanto eu (ou o pai) preparo o biberão;
- porque de noite nem tenho de sair de cama, logo eu não desperto, o bebé não desperta e voltamos a adormecer mais rapidamente;
-porque tem todas estas vantagens e não dói desde que se cumpram as regras de ouro relativamente à posição do bebé e frequência das tomas (“barriga contra barriga”, sempre que o bebé pede e pelo tempo que o bebé pede, à descrição, “bar aberto”);
- porque me dá liberdade, vou para qualquer lado, a qualquer hora, com o bebé, uma fralda e a mama, sem ter de levar uma parafernália de tralhas atrás;
- porque gosto e porque acho que a Júlia também gosta. (Não vou dizer que ajuda a criar um maior vínculo afectivo pois acredito que o vínculo se cria de muitíssimas maneiras e esta é apenas mais uma);
- porque, por acreditar nisto tudo, gostaria de continuar a amamentar e sei que, se o quero continuar a fazer, não devo dar leite adaptado pois com isso condeno a amamentação a médio/longo prazo (precisamente porque a produção depende do estímulo).
Repararam na quantidade de vezes que escrevi a palavra “acredito”? Pois é, estou com o tio González, é que a ciência, ao longo da História, sempre demonstrou que vai e vem nas suas conclusões, portanto, para além de bases mais ou menos científicas (que é claro que acredito existirem) há aqui uma questão de profunda convicção. Mesmo que lesse um fabuloso e convincente artigo sobre as vantagens do leite adaptado na nutrição eu não acreditaria. A questão é simples: acredito mais na evolução biológica do que na ciência. Ainda por cima, no nosso caso, que somos uma das mais bem sucedidas espécies do planeta…
Vão-vos dizer
secalhar não tens leite...;
secalhar não tens leite que chegue...;
secahar o teu leite não presta...;
Esqueçam tudo. Encarem essas observações com uma postura antropológica, não se zanguem, são reflexos de um fenómeno recente da nossa história que criou erradas convicções acerca do assunto. Se querem amamentar pensem que basta isso, uns pózinhos de informação, de apoio e muita persistência.
Beijinhos

sexta-feira, 20 de março de 2009

A chegada



Coube a mim transmitir-vos a seguinte mensagem dos papás da Júlia:
"A Júlia chegou ao planeta Terra. Um pequeno passo para a Júlia, um grande passo para o mundo!"

Eu digo apenas: temos Júlia!!!

Tio César

sábado, 14 de março de 2009

Convite à retirada

Querida Júlia

Por muito que goste de te sentir a viver no interior do meu corpo tenho de te convidar a sair. Esse planeta em que vives tem os dias contados. Os recursos esgotam-se rapidamente, a atmosfera, a fana, a flora não serão suficientes à tua sobrevivência por muito mais dias…
Tens o teu mundo arrumadinho, pequeno, limpo. Tem uma paisagem monótona mas aí não há guerras, nem fome… Sei que te parece o único lugar possível para viver mas asseguro-te que existem outros melhores.
Aqui, no planeta Terra, há uma imensidão de espaço para explorar. Ainda que caminhes um dia inteiro não vais sequer ter começado uma viagem de exploração… Há tantos sons, animais, plantas e cores…
Como te posso convencer a quereres conhecer coisas que nem imaginas? Confia em mim, na vida o que não conhecemos é o que nos reserva as melhores surpresas…
Aqui fora há uma superpotência que tem ordens expressas de uma superpotência maior para evacuar todos os planetas como o teu com mais de quarenta semanas de ocupação. Ontem, a mãe e o pai, sentados à mesa das negociações, conseguiram adiar a tua retirada, argumentando que tu não estás gorda demais , que ainda tens muita água no teu oceano, que te movimentas lindamente e que tens recursos para continuar aí mais uns dias. O prazo marcado para o novo encontro em que será agendada uma retirada à força é dia 18 de Março de 2009. Foi o melhor que conseguimos.
Uma retirada à força implicará ondas violentas de expulsão. Não terás força para conduzir esse barco e serás violentamente projectada para fora. Eu aconselho-te a tomares as rédeas da situação. Não deixes em mãos alheias aquilo que a ti te interessa conduzir. Esse tem sido um lema dos teus pais que gostaríamos que seguisses.
É assim: aí onde estás , tens algures a flutuar um painel de navegação móvel com três botões. Um verde da oxítocina, um azul das endorfinas e um vermelho da adrenalina. Esses botões comandam a abertura de três torneiras. Começa por abrir devagarinho a torneira da ocitocina, lentamente começaras a sentir uma ondulação que te empurrará gradualmente para a saída. Eu vou sentir quando isso acontecer. Vai-nos doer às duas e à medida que as dores forem aumentando tu vais carregar no botão das endorfinas que ajudarão a suavizar a nossa dor, que é a dor da nossa separação. Eu vou-te ajudar movimentando-me para te ajudar a conduzir para o túnel de saída. Este é estreito para o tamanho da tua cabeça, por isso só terás uma única posição para te encaixares para a retirada. Estuda-a bem, roda, roda, experimenta… Nos momentos em que maré esteja mais calma aproveitaremos para descansar. Ligas as endorfinas que eu ponho uma música para descontrairmos. Como vês, isto é um trabalho de equipa. Não é melhor assim que a partir de um comando do exterior?
Após umas horas de trabalho começarás a ver uma luz ao fundo do túnel. É por aí a saída. Carrega no botão da adrenalina. Vamos precisar disso para te conduzir para o exterior. Quando chegares cá fora verás uma luz imensa e serás encostada a mim, do lado de fora do planeta de onde saíste, onde sentirás o meu calor. Vamos tentar que nos deixem assim um pouco sossegadas para atenuarmos a dor da nossa separação. Nessa altura sentirei um prazer enorme. Efeitos das endorfinas pois, antes de sair, ter-te-ás esquecido da torneira aberta no máximo!
Apesar deste me parecer um bom plano, quero que saibas que, se resolveres não sair nos teus nove meses lunares, se não conseguires ter coragem para abandonar esse planeta que adoras, eu vou compreender. Porque também eu tenho tantas vezes dificuldades em deixar de olhar para trás quando devia olhar para a frente… Como te poderei culpar se saíres saudosista como a mãe?
Uma coisa é certa, no prazo de uma semana estarás cá fora e terás para te receber um pai lindo, de cabelo comprido e guitarra em punho e uma mãe deslumbrante, reputada actriz de cinema…
(Será pecado exagerar um bocadinho por uma boa causa?...)
Salta miúda!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Aviso à navegação

Querid@s leitor@s

Quando começarem as "dores" (que é como quem diz, pequenos incómodos) dirigir-me-ei para casa de um tio amigo onde tentarei fazer parte da dilatação, recorrendo a técnicas de relaxamento “naturais” tais como a água, bola de ginástica, massagens, música, média luz, respiração... (O enfermeiro Vítor disponibilizou informações sobre várias formas de combate à dor mais ou menos convencionais, tradicionais, naturais... Eu escolhi.) Se não se romper a bolsa de águas primeiro - coisa que me deverá levar quase de imediato para o hospital - é isso que vou fazer. Quando as contracções estiverem um pouco mais frequentes telefono à Marta para ela me dar conselhos ou, se puder, me visitar. Quando sentir que a hora está perto vou para o hospital que fica ali a menos de cinco minutos, onde ouvirei um raspanete por não ter chegado mais cedo. Vou desligar o telemóvel.
Quando a criança nascer vou tentar dar logo de mamar. Para isso terei de ficar tranquila, eu, a bebé e o pai. Um amigo se encarregará de colocar aqui a grande notícia (golpe baixo para aumentar as visitas a este blog) e qualquer mensagem que queiram enviar era simpático que a deixassem aqui mesmo, para a Júlia um dia puder ler. Não levem a mal se tentarem ligar e ninguém atender... É mesmo assim. Quando estivermos descansadas e tranquilas o pai avisará sobre momento em que se iniciarão as visitas... Gostaríamos que ninguém se ofendesse com esta opção com a qual queremos assegurar um início de vida o mais sereno possível para a nossa menina.
O fim deste blog serão as vossas mensagens.
Um abraço para todos e obrigada pelo carinho com que me rodearam durante estes nove meses.

domingo, 1 de março de 2009

Parto sem dor

Queridas leitoras

Todas nós receamos um

ou mesmo umMas é preciso compreender que ele se deve quase sempre às

ou seja, merdas que nos metem na cabeça...


Assim:

- a
que nos despenteia;

- a que nos põe loucas...

- aque nos espanta;

- o
que nos põe desconfiadas;

- os

que nos põem indignadas;

- a que nos torna estúpidas;
-a
que nos entorta as vistas;

São tudo causas da tão temível




que, é como quem diz, preocupação

TUDO A EVITAR SE DESEJAMOS UM

Prendinhas

A tia Liliana ofereceu estas vaquinhas e fez esta almofadinha com um desenho do tio Telmo!O tio César e o tio Tiago fizeram este penduricalho em papel... (Que é uma prova da paciência e esmero de que vão precisar para aturar a pirralha...) E o tio Oskar, com estes sapatinhos fashion, quer iniciá-la no vício dos sapatos!
A avó Isabel inicia-a, com esta caixa, na arte da poupança e, com este fatinho, na arte de saber estar quentinha!


A minha barriga 7

Aqui está ela às 38 semanas!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cá se vai andando

Pois é. Aqui a mamã não diz nada porque anda preguiçosa e derreada. Queria escrever tantas coisas, contar tantas coisas, pôr fotografias da barriga e nada. A Julinha mexe muito, tudo corre bem. A mãe está a fazer uma dieta mais ou menos cerrada.
O tempo vai bom para vir ao mundo. É primavera (quase)... O parto aproxima-se... Hoje sonhei que o Derek e a sua equipa da "Anatomia de Grey" me faziam o parto... E eu pensei "olha que médico tão jeitoso me saiu..." Gostava de escrever um post sobre o parto, o curso de preparação, as minhas intenções, as coisas que tenho lido, as minhas expectativas, o meu medo do previsível atroz sofrimento que se avizinha (apesar de as opiniões divergirem)... Mas tenho preguiça e sono...
Estou feliz. É bom preguiçar. É bom ter tempo. É boa esta espera.
Beijos a todos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Julia - Pavlov´s Dog

A tia Susana lembrou e bem esta música em mim cravada desde a adolescência e que, decerto, de uma forma inconsciente, terá contribuído para a escolha do teu nome.

Le Partisan

Olha o que eu encontrei. A minha música preferida desta tão promissora banda infelizmente defunta e a qual o pai Eloi fez parte.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Hoje sonhei com um pássaro cor de pérola

Hoje sonhei com um pássaro cor de pérola. Era grande e redondo e voava de ramo em ramo comendo bolotas e depois uma espécie de frutos de papel, transparentes, cor de pérola. O céu por trás era também ele cor de pérola. Mas para além da cor tudo tinha a sua forma, textura e volume próprios. Apenas a cor, o brilho e a transparência criavam unidade nesta fotografia. Fiquei a observá-lo até que ele se deixou cair aos meus pés. Tive medo e vi o meu irmão fazer barulho, atirei-lhe com qualquer coisa para ele se calar mas já era tarde, o pássaro tinha saltado para o meu colo e estava agarrado a mim. Acordei com o coração disparado.
E comecei a pensar nas mudanças da minha vida. Tenho-me despedido lentamente do trabalho e dos colegas, sem grandes rupturas. Ontem senti uma despedida maior embora não me tenha despedido de ninguém. Sinto-me sem forças para aguentar o ritmo de trabalho, sem energias nem vontade para gerir o stress das solicitações contínuas que me fazem naquele lugar quando apenas dei lá uma escapadela para tentar deixar algumas coisas em ordem. Doem-me vários sítios do corpo, custa-me andar, baixar-me, estar sentada muito tempo. Sinto-me limitada, tenho de pedir favores a toda a hora. Sei que está na hora de abrandar o ritmo e fiquei aliviada com o facto de ficar de baixa mas algo se rompe neste momento. Nada voltará a ser como antes e as despedidas custam-me sempre. Para além do stress, naquele local há alegria, riso, carinho, gente boa e simpática, bons colegas e amigos. E uma rotina que faço há já sete anos…
Também há pessoas mesquinhas e limitadas de quem não gosto. Às quais me apetecia dizer em jeito de despedida: Já te disse que não gosto nadinha de ti?...
Mas não. Nos últimos meses a minha palavra Norte é serenidade. Perdi o meu não duro, firme, seguro e, nos últimos meses, já aderi a mais cartões do que em toda a minha vida, deixando-me seduzir por todo o tipo de vendedores. O não deu lugar ao sim. Sim, sim, sim a tudo. Não quero mas sim, não me apetece mas sim. Sim porque sim. Porque o sim não me chateia, porque o sim é suave e doce e simpático. Porque eu não quero saber de mais nada para além da minha menina que trago dentro deste aquário-viveiro que é o meu corpo.
Do meu corpo estragado, tão cheio de pequenas maleitas que poderia fazer uma nova versão daquela música (que me tem acompanhado) do “Música no coração” dedicada não a todas as coisas que eu gosto mas sim a todas as coisas que me doem.
O meu corpo e o meu espírito agora programados para essa função primária que é a procriação. O meu corpo emprestado à sobrevivência da espécie.
E agora riam-se, a parte cómica. Se eu fosse outra pessoa não contava isto mas vou contar. Estava eu a ler as últimas linhas do livro do Carlos Gonzalez - Um regalo para toda la vida - e ocorreu-me que talvez eu possa não ter leite para amamentar a minha cria. E eu gostava mesmo de a amamentar. Mas custa-me a crer que destas mamas saia alimento para criar alguém… Uma das últimas coisas a que o autor faz referência a é sobre a possibilidade de amamentar filhos adoptivos. Por incrível que pareça é tão verdade que a produção de leite dependa do estímulo provocado pela sucção que até uma mulher que não esteve grávida pode conseguir amamentar uma criança que comece a mamar nas sua mamas e a estimular a produção de leite! Incrível não é?
Depois ocorreu-me que se a tia Renata estiver cá quando a criança nascer e se eu não conseguir amamentar talvez ela possa dar de mamar algumas vezes à bebé para ela aprender a mamar… (A tia Renata era bem capaz disso!)
E depois tive uma ideia estapafúrdia. E se eu experimentasse o saca leite eléctrico que a Renata me emprestou para ver se já sai alguma coisa?!... (Riam-se, vá, riam-se suas bestas, imaginando a minha figura…) E assim fiz. Colei o saca-leite à mama esquerda cuja potência estava, sem que eu tivesse reparado, no máximo e aquela coisa começou a puxar o mamilo e a soltá-lo, tal qual uma boca de criança invisível, e imediatamente saíram pela minha mama, (imaginem, como é isto possível!) umas gotas de líquido transparente mas leitoso a que se dá o nome de colostro! Querida quando quiseres nasce que, ao que parece, vais ter alimento!
E assim me desatei a rir e compus muito o meu dia que tinha começado com uma madrugada tão triste!
P.S. Querida leitora não tente fazer isso em sua casa! Ao que parece pode provocar o trabalho de parto(!)

Um casaco para a menina


Ao casaco que a mãe te está a fazer só faltam as mangas!

O mundo à tua espera

O mundo que te espera tem, para além da chuva e dos velhos e tristes problemas na Palestina, uma camélia florida no teu quintal


e uns jacintos que brotaram da terra e que decerto verás florir...

A minha barriga 6

A minha barriga por volta das trinta e quatro semanas!

Prendinhas

O tio Telmo ofereceu o primeiro fatinho e a tia Carla a primeira toalha de banho. Ambos estrábicos como a mãe!

O quarto do bebé

O tio Telmo coloriu a cómoda

e o candeeiro...

A mãe acabou a manta grande

e a manta pequena...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ao ano da Julia!

O final do ano de 2008 fizemo-lo na companhia de uma dor ciática que me restringiu as tão planeadas férias a cama e botija de água quente colada às costas. Cheguei a pensar que para a próxima alugo uma barriga… Mas os movimentos constantes da Julinha fizeram-me já esquecer essa ideia. É capaz de se mexer durante uma hora: Pum! Pum! Trás! Trás! Zum! Ploc! Clic! zzzzzpreis! E por aí fora… É um não parar no oceano da minha barriga. E eu fico embevecida a pôr a mão aqui e ali, tentando apanhar a peixinha, olhando prolongadamente a superfície deste planeta para ver aqueles movimentos. Na adolescência sonhava muito em estar grávida e posso dizer que não fantasiei de mais sobre este estado que é, como dizer…? Maravilhoso?!.... Só posso pedir desculpa pela vulgaridade das palavras.
Na véspera de ano novo levantei-me com uma nova botija de gel colado às costas que aquecida a miúdo no microondas me permitiu assistir à chegada da equipa preparadora da festa: o César, o Tiago, o Oskar, a Carla e o Nuno. Uma mesa a mais, cadeiras e bancos para todos, iluminações e enfeites natalícios, uma nova disposição dos sofás. Entretanto chegou o massagista especial de ano novo, o Mesquita, que em cerca de uma hora de óleos cheirosos me pôs as costas novas… Entretanto chegaram a Jó, o Mário, a Joana, o Nuno e a Carla, a João, o Hugo e a ?, a Inês e o Paulo a Anabela, o Gabriel e o Lourenço, a Ângela e o Rafael, o Mesquita, a Susana e a Marta… A minha ciática deu-me uma pequena folga de alívio e pude desfrutar da companhia dos amigos, da comida, dos risos… O pequeno Lourenço fez charme para todos os convidados e fez com que todos eles dessem um beijo no hipopótamo que a Ângela e o Rafael trouxeram.


Chegaram ainda outras prendas (antes do tempo)
Um álbum de tecido, cheio de cor da Joana e do Nuno

Um fantoche meigo da Carla de Bragança e do Nuno


A festa acabou com uma série de tropelias bêbadas no sofá que me fizeram recordar o riso do progenitor há cerca de treze anos, altura em que o conheci.


O brinde foi muito simpático “ Ao ano da Júlia!”.
No dia seguinte o progenitor ficou colado à cama com tostas e água. A Jó e eu junto à janela a conversar. A Renata, o Paulo e Libânia fizeram uma surpresa e apareceram com uns mega-sacos de artigos para bebés: roupas de bebé, saca-leite eléctrico, pomadas, discos para soutien, ocitocina, álcool etílico, edredão, lençóis, eu sei lá!...
Apesar de ser um dia triste para eles foi bom vê-los, sobretudo ver a Libaninha de ano e tal, agarrada a uma asa de frango e depois a chuchar uma tangerina com apetite…

“Ai Libânia, Libaninha
Mas que nome de princesa
Para ser mais perfeito
Só se te chamasses Teresa!”

Depois foi a vez de ver o Telmo e Pedro no novo ano numa visita rápida, de partida para o Côa (as gravuras não sabem nadar, yô!).
De tarde chegou uma equipa de limpeza, formiguinhas eficientes que numa hora deixaram tudo meticulosamente limpinho e arrumado! Vale a pena ter AMIGOS assim!
Sentamo-nos no sofá a ver as roupinhas que a Renata e o Paulo trouxeram…
À noite (o progenitor ainda preso à cama), separamos as roupinhas por tamanhos, apreciamos, mostramos, discutimos as mais funcionais, debatemos questões de tamanho… Tudo a pensar na Julinha.
No dia seguinte, continuando este ciclo de visitas e casa cheia, vieram a Lara, o Jorge, a Eva e o Mário. E lá vieram mais prendinhas para a miúda! E mais saudades que se mataram!

E no dia seguinte, mais uma vez, vieram o Oskar, o César, o Tiago e a Jó depois de um passeio pelos caminhos do Romântico, cheios de boa disposição… Trouxeram os ingredientes, fizeram o jantar…
E no dia seguinte, para encerrar esta temporada de festas, vieram a Alice e o Acácio, o César, o Tiago e o Oskar para a despedida do Oskar que infelizmente nos deixou e voltou para Tarragona.
A ciática ficou esquecida no meio de tantos mimos. Endorfinas não devem ter faltado para a menina com tantos amigos!
Foi um início de ano memorável que não pretendo esquecer nunca! Beijos para todos!
Ao ano da Júlia!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Drop´s de Hortelã - Oswaldo Montenegro e Glória Pires

Esta música colou-se-me ao ouvido durante esta gravidez. A letra para mim indecifrável sugere-me qualquer coisa que também não percebo bem. O conjunto mexe comigo sem eu perceber porquê... Mistérios da música... Talvez a reconheças quando nasceres. (Espero que o vídeo não consiga estragar a música)

Aquarela - Toquinho

Esta música foi-me oferecida por dois amigos especiais num momento difícil da minha vida. (encontrei-a hoje pr acaso no blog de uma recente visitante). Ouvi-la vezes sem conta ajudou-me a ganhar forças para ganhar forças. Devolvo-a agora a vocês, tio Paulo e tia Renata, esperando que tenha o mesmo efeito na vossa vida.

http://www.youtube.com/watch?v=NcSgW1tBYrg

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Retrato da mãe


E aqui estou eu, ilustrada pelo tio Major Tom, a fazer um casaquinho de bebé!

Prendinhas

O estupor da miúda já tem mais prendas do que eu na minha vida inteira e ainda não estão aqui todas!

Livros de histórias do tio João...
Uma vaca silenciosa e uma vaca cantadeira da mãe e do pai uns patinhos da tia Bebé...

Um vestidinho e um muda fraldas da tia Patrícia dentista, uma mantinha do tio César, uma bolsinha da tia Jó, um camelo da tia Berta, carapins, cobertor e manta da avó Luzia, um quadro da tia Carla, um ursinho da tia Bebé...

Uma caixa de música que viajou pelo atlântico para aqui chegar, da tia Renata dos Açores...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Minha vida, dás um jeitinho para a menina?...

Hoje acordei e pus-me a pensar em ti. É um hábito que estou a ganhar com esta nova paixão. Gostava de te dizer que não vens preencher nenhum vazio na minha vida. Porque na minha vida não havia vazios para preencher. Toda ela era cheia. Cheia de amor, de amigos, de emoções, de gostos, de trabalho, de convicções, de prazer… É nesta vida que eu te vou encaixar. Com um “dás um jeitinho?” ao trabalho, às paixões, aos amigos e às emoções. Arranjo espaço para te encaixar na minha vida. Penso em como será o nosso encontro. Como será o nosso amor. Imagino-nos nos primeiros tempos, juntos, com o pai, no primeiro mês, a descansar do nascimento, a alimentarmo-nos, a ganhar forças, numa casa bem aquecida… Será um namoro de cuidados e carinhos. Muito leitinho da mãe, banhinhos suaves, tutus bem limpos, cama quentinha e, nos dias de sol, pequenos passeios a ver o mundo a partir do jardim cá de casa. Veremos as primeiras flores da primavera, os narcisos e os lírios que estarão floridos quando tu nasceres. Depois virão aquelas flores vermelhas as quais chamam “olhos de gato” e aquelas flores brancas às quais chamam flores da amizade. São flores que renasceram sozinhas neste quintal, semeadas pela Fatinha há uns anos atrás. E depois virão as árvores das flores, do pessegueiro, da amendoeira… Ou será antes?... Tens também uma magnólia e uma azálea de flores brancas… E tens muitas flores que eu não me lembro, porque um jardim e uma mãe esquecida resultam nisto, todos os anos me espantar com as flores a florir por já não me lembrar que elas estavam ali! À medida que fores crescendo, naqueles seis meses em que estarei sempre contigo, iremos começar a passear todas as tardes. Vamos descer a rua e ver o rio, ouvirás os sons do Verão, da praia cheia de gente a chapinar na água. Iremos ver árvores grandes ao jardim da Lavandeira e eu vou-te falar sobre o buraco negro que ele era na minha infância, espaço secreto, fechado à comunidade que ao lado dele vivia. Mas sobre isto tu não vais perceber nada.
Depois desse espaço que arranjarei para ti, que no início será todo teu, serás tu a dar-me espaço e eu a dar-te espaço para tu cresceres. Assim que puder voltarei para o jardim e tu serás promovida a jardineira assessora. Se tu quiseres, nos dias de chuva, e quando já tiveres pulmões para isso iremos entrar na câmara mágica da fotografia. Um laboratório de alquimia onde faremos aparecer imagens de uma folha branca. Crescerás a ouvir os sons da guitarra do pai e talvez te interesses por mexer nas cordas que dão música. Temos muitas histórias para te contar antes de tu adormeceres. Para onde formos tu irás. Vais conhecer tanta gente que vem cá a casa! Tu vais gostar. São todos diferentes.
É assim que eu imagino que seja.

Memórias de infância

Ontem eu e o pai falávamos de educação. E discutíamos se se devem ou não dar palmadas no rabo para educar. O pai acha que sim e eu acho que não. Se bem nos conheço ele nunca te dará uma palmada mas eu sim!
Para defendermos cada um de nós o seu ponto de vista, íamos dando exemplos de actos graves das crianças que poderão requerer a metodologia da força. E eu lembrei-me de uma das mais graves asneiras da minha infância que poderia ter justificado umas valentes e "merecidas" palmadas. Eu tinha 11 anos e havia lá na escola um rapaz chamado Cláudio. O Claudio era um rapaz muito magrinho, ruivo, com os dentes encavalitados, cheio de sardas, o nariz a terminar numa bolinha arrebitada. Era nosso vizinho e pertencia a uma família "esquisita". Os pais vestiam calças à boca de sino, tinha muitos irmãos, todos eles cheios de sardas como os pais. A mãe não tinha sobrancelhas e desenhava um risco arqueado acima dos olhos.
Um dia, a caminho de casa, tive a brilhante ideia de agarrar o Cláudio por um braço, na viela, onde ninguém nos via, e andar com ele roda, rindo-me enquanto ele gritava...
Todas as crianças, mesmo as mais bem comportadas e cheias de amor de mãe como eu, um dia têm um ataque de estupidez...
A mãe do Cláudio, e muito bem, foi falar com a minha mãe. A minha mãe não me bateu. Mas passou-me um valente raspanete com a sua voz zangada. Não posso, porque não consigo, descrever a imensa vergonha que senti pelo que fiz, o imenso pesar por ter desiludido a minha mãe… Palmadas valentes não teriam surtido tão brilhante efeito neste ensinamento sobre o respeito pelos outros e pela diferença… Palmadas valentes teriam gerado revolta e ódio que provavelmente seriam sobre o Cláudio e não sobre os meus actos. Tudo o que eu queria como educadora era ser como foi a minha mãe que, embora me tenha dado palmadas, não foi assim que me educou. E quando um dia me castigou injustamente porque me julgou culpada de uma coisa que eu não tinha feito me soube, do alto dos seus metros, pedir desculpa.
Isto não é uma defesa da condescendência! É a defesa da disciplina e da educação (se possível) sem recurso à violência…

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Dona Flora

Dona Flora, como o seu próprio nome indica, era uma senhora que gostava de flores. Gostava de flores, do nascimento e da vida. De tudo o que nasce e cresce. Gostava de as semear, de as regar, de as cuidar, de lhes limpar o pé, de lhes retirar as folhas secas e, sobretudo, de as as ver crescer e florir. E como gostava de flores e de nascimento e de crescimento também se encantava com os bebés que estavam para nascer. E sempre que sabia que, algures na sua terra, um bebé germinava e crescia na barriga da sua mãe, Dona Flora desatava a fazer carapins, primeiro brancos e pequeninos, depois maiores de todas as cores. Enquanto os pezinhos cresciam, Dona Flora imaginava que os seus carapins eram como um bafo quente que ajudava o bebé a crescer.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A minha barriga 5



Aqui está ela com vinte e sete semanas!

Prendinhas







Prendinhas e mais prendinhas! Beijos aos tios Carla, Alice e Telmo!


domingo, 30 de novembro de 2008

Desenho da Andreia

Este lindo desenho indicar-te-á a direcção da caminha...

Memórias registadas a 29 de Fevereiro de 1994

Quando era criança
E vinha nas tardes de quase Verão
A caminho de casa
Costumava andar de costas
E ver a rua a fugir

sábado, 29 de novembro de 2008

Memórias registadas 4 de Janeiro de 1994

Um dia os saltimbancos chegaram
Como era criança
não me perguntei
de onde vinham
como viviam
e para onde iam

o que importava
era o jardim da Lavandeira
iluminado com saltimbancos
com trapezistas brilhantes
que voavam
por cima da terra
onde se costumava jogar à bola
que por uma noite
tornavam sagrado, mágico
esse espaço profano

Memórias registadas a 1 de Fevereiro de 1992

Quando estou perto de pinheiros
espirro
As alfaces sem químicos
provocam-me alergia
Os frangos caseiros
dão-me vómitos
Ar puro
faz-me comichão
Gosto de me sujar na terra
quando previamente vesti
uma roupa velha
Gosto de me banhar no mar
quando vesti um biquini
para me mostrar
Gosto de estar ao sol
quando me revesti de um anti-sol
Nasci do lado da cidade
de pequena aprendi
a brincar de cócoras
por causa da sujidade
Por trás da casa
havia um pequeno
quintal
no quintal havia uma árvore
na árvore havia um baloiço
a árvore cortaram-na
incomodava ao vizinho
ver-nos perigosamente
a andar de balancé
Havia também uma roda
uma bomba de tirar água
um dum lado
outro do outro
um subia
outro descia
outro subia
um descia
O vizinho
pôs uma tábua a entravar
a bomba
porque era perigoso
subíamos demasiado alto
talvez ríssemos demasiado alto também
Em casa do vizinho
comia-se sempre ao meio dia
tudo estava limpo
tudo estava arrumado
Lá, não se diziam palavras feias
como gajo
E a velha dizia quando eu ia mexer nos seus
frasquinhos de medicamentos vazios
nos frasquinhos que ela amontoava numa cesta
no móvel debaixo da televisão:
Não bulas
O velhotinho punha-me no colo
e fazia-me duas tranças
à janela
Quando a velha ia lá a casa
eu escondia-me por trás da porta da cozinha
tinha cinco anos e ainda mamava no biberão
Menina feia, menina feia
E depois foi aquela tristeza
uma chávena de leite em cima da mesa
olhava para ela
a pensar como é que ia beber por ali
mas bebi

A velha morreu
o velhotinho também
não estranhei nem senti falta de ninguém

Depois ouvi dizer:
- Uma desgraça nunca vem só
Não há duas sem três
e morre o filho dos velhos

Depois ouvia a conversa da minha mãe
cá de baixo, perguntei
- O que é raro mãe, o que é raro?...
- É uma coisa que acontece poucas vezes

Foi mais uma palavra que aprendi

Depois havia uma cesta velha
de brinquedos velhos-novos
Brinquedos velhos: uma balança, um fogão, um porta-retratos, uma mesa pequenina de madeira sem uma perna, uma jarrinha azul claro de plástico
as couves no quintal
para brincarmos a fazer sopa
Um ancinho de criança
Uma vassoura pequenina
Fazíamos as casas
baptizávamos as bonecas
Quando a brincadeira estava melhor
aparecia mãe dela para a vir buscar
e nós dizíamos : - Logo agora!
Houve eu aprender a andar de bicicleta
Houve a minha primeira bicicleta
cor-de-laranja
Havia entardeceres quentes de Verão
vir da escola, lanchar e ir andar de bicicleta
No jardim
a criançada
brincava
Andar de bicicleta
jogar à patélinha
num entardecer de S. João
era bom

Memórias de infância

Preparar-me para a maternidade tem sido também lembrar-me da minha própria infância. Este texto constitui um preambulo para o registo de algumas memórias que gostaria de registar aqui.
Como salvaguarda da fiabilidade destas evocações, sobre a memória, terei que colocar aqui um excerto de “Os que Sucumbem e os que se Salvam” de Primo Levi que li ontem e que me espantou (como me espanta sempre este fabuloso autor que tem de ser lido com muito tempo para pensar):
"A memória humana é um instrumento maravilhoso mas falível. (…) As recordações que jazem dentro de nós não são gravadas em pedra; não só têm a tendência para se apagarem com os anos, como também é frequente modificarem-se, ou inclusivamente aumentarem (…). Mesmo em condições normais actua uma lenta degradação, um ofuscar dos contornos, um esquecimento, digamos fisiológico, a que poucas lembranças resistem. É provável que se possa reconhecer aqui uma das grandes forças da natureza, aquela mesmo que degrada a ordem em desordem, a juventude em velhice, e apaga a vida na morte. É certo que o exercício (neste caso, a frequente evocação) mantém a recordação viva e fresca, do mesmo modo que se mantem eficiente um músculo que seja exercitado com frequência; mas também é verdade que uma lembrança evocada com demasiada frequência, e que se exprima sob a forma de relato, tem tendência para se fixar numa espécie de estereótipo, numa forma verificada pela experiência, cristalizada, aperfeiçoada, adornada, que se instala no lugar da lembrança em bruto e cresce à sua própria custa”
São assim as minhas memórias, “aperfeiçoadas”, “cristalizadas” por ao longo dos anos serem evocadas, hábito que devo à minha mãe pois passei a minha infância a ouvi-la a contar as suas próprias memórias. O mesmo se passa com os sonhos, com os quais, uma vez verbalizados, ocorre um fenómeno semelhante. Fixámo-los, memorizámo-los e damos-lhe contornos lógicos, cartesianos, uma estrutura que lhes permite permanecer no tempo e recordarmo-los mesmo anos depois.

A tua mão

Sonhei que vi a tua mão aberta a transparecer através da minha barriga. Toquei-lhe com a minha mão aberta e esse contacto foi tão intenso que eu lancei um grito

Quem é que manda aqui? Árvore da vida

Todo este silêncio significa que durante as duas últimas semanas tive, na primeira, tanto trabalho e stress que, na segunda, caí de cama.
Durante este tempo que estive na cama ocorreu-me que não passo de um ramo dessa árvore chamada mãe natureza disposta a tudo para fazer vingar o seu fruto. O fruto acomodado no meu ventre não precisa de fazer nada pois se eu não me cuidar, se eu não o cuidar, ali está a grande árvore para me obrigar a fazê-lo.
Estou assim ligada à terra.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mais pieguices

A mantinha... Penduricalhos...

E uma pintura do avô de um país cheio de cor...