sexta-feira, 20 de Março de 2009

A chegada



Coube a mim transmitir-vos a seguinte mensagem dos papás da Júlia:
"A Júlia chegou ao planeta Terra. Um pequeno passo para a Júlia, um grande passo para o mundo!"

Eu digo apenas: temos Júlia!!!

Tio César

sábado, 14 de Março de 2009

Convite à retirada

Querida Júlia

Por muito que goste de te sentir a viver no interior do meu corpo tenho de te convidar a sair. Esse planeta em que vives tem os dias contados. Os recursos esgotam-se rapidamente, a atmosfera, a fana, a flora não serão suficientes à tua sobrevivência por muito mais dias…
Tens o teu mundo arrumadinho, pequeno, limpo. Tem uma paisagem monótona mas aí não há guerras, nem fome… Sei que te parece o único lugar possível para viver mas asseguro-te que existem outros melhores.
Aqui, no planeta Terra, há uma imensidão de espaço para explorar. Ainda que caminhes um dia inteiro não vais sequer ter começado uma viagem de exploração… Há tantos sons, animais, plantas e cores…
Como te posso convencer a quereres conhecer coisas que nem imaginas? Confia em mim, na vida o que não conhecemos é o que nos reserva as melhores surpresas…
Aqui fora há uma superpotência que tem ordens expressas de uma superpotência maior para evacuar todos os planetas como o teu com mais de quarenta semanas de ocupação. Ontem, a mãe e o pai, sentados à mesa das negociações, conseguiram adiar a tua retirada, argumentando que tu não estás gorda demais , que ainda tens muita água no teu oceano, que te movimentas lindamente e que tens recursos para continuar aí mais uns dias. O prazo marcado para o novo encontro em que será agendada uma retirada à força é dia 18 de Março de 2009. Foi o melhor que conseguimos.
Uma retirada à força implicará ondas violentas de expulsão. Não terás força para conduzir esse barco e serás violentamente projectada para fora. Eu aconselho-te a tomares as rédeas da situação. Não deixes em mãos alheias aquilo que a ti te interessa conduzir. Esse tem sido um lema dos teus pais que gostaríamos que seguisses.
É assim: aí onde estás , tens algures a flutuar um painel de navegação móvel com três botões. Um verde da oxítocina, um azul das endorfinas e um vermelho da adrenalina. Esses botões comandam a abertura de três torneiras. Começa por abrir devagarinho a torneira da ocitocina, lentamente começaras a sentir uma ondulação que te empurrará gradualmente para a saída. Eu vou sentir quando isso acontecer. Vai-nos doer às duas e à medida que as dores forem aumentando tu vais carregar no botão das endorfinas que ajudarão a suavizar a nossa dor, que é a dor da nossa separação. Eu vou-te ajudar movimentando-me para te ajudar a conduzir para o túnel de saída. Este é estreito para o tamanho da tua cabeça, por isso só terás uma única posição para te encaixares para a retirada. Estuda-a bem, roda, roda, experimenta… Nos momentos em que maré esteja mais calma aproveitaremos para descansar. Ligas as endorfinas que eu ponho uma música para descontrairmos. Como vês, isto é um trabalho de equipa. Não é melhor assim que a partir de um comando do exterior?
Após umas horas de trabalho começarás a ver uma luz ao fundo do túnel. É por aí a saída. Carrega no botão da adrenalina. Vamos precisar disso para te conduzir para o exterior. Quando chegares cá fora verás uma luz imensa e serás encostada a mim, do lado de fora do planeta de onde saíste, onde sentirás o meu calor. Vamos tentar que nos deixem assim um pouco sossegadas para atenuarmos a dor da nossa separação. Nessa altura sentirei um prazer enorme. Efeitos das endorfinas pois, antes de sair, ter-te-ás esquecido da torneira aberta no máximo!
Apesar deste me parecer um bom plano, quero que saibas que, se resolveres não sair nos teus nove meses lunares, se não conseguires ter coragem para abandonar esse planeta que adoras, eu vou compreender. Porque também eu tenho tantas vezes dificuldades em deixar de olhar para trás quando devia olhar para a frente… Como te poderei culpar se saíres saudosista como a mãe?
Uma coisa é certa, no prazo de uma semana estarás cá fora e terás para te receber um pai lindo, de cabelo comprido e guitarra em punho e uma mãe deslumbrante, reputada actriz de cinema…
(Será pecado exagerar um bocadinho por uma boa causa?...)
Salta miúda!

sexta-feira, 6 de Março de 2009

Aviso à navegação

Querid@s leitor@s

Quando começarem as "dores" (que é como quem diz, pequenos incómodos) dirigir-me-ei para casa de um tio amigo onde tentarei fazer parte da dilatação, recorrendo a técnicas de relaxamento “naturais” tais como a água, bola de ginástica, massagens, música, média luz, respiração... (O enfermeiro Vítor disponibilizou informações sobre várias formas de combate à dor mais ou menos convencionais, tradicionais, naturais... Eu escolhi.) Se não se romper a bolsa de águas primeiro - coisa que me deverá levar quase de imediato para o hospital - é isso que vou fazer. Quando as contracções estiverem um pouco mais frequentes telefono à Marta para ela me dar conselhos ou, se puder, me visitar. Quando sentir que a hora está perto vou para o hospital que fica ali a menos de cinco minutos, onde ouvirei um raspanete por não ter chegado mais cedo. Vou desligar o telemóvel.
Quando a criança nascer vou tentar dar logo de mamar. Para isso terei de ficar tranquila, eu, a bebé e o pai. Um amigo se encarregará de colocar aqui a grande notícia (golpe baixo para aumentar as visitas a este blog) e qualquer mensagem que queiram enviar era simpático que a deixassem aqui mesmo, para a Júlia um dia puder ler. Não levem a mal se tentarem ligar e ninguém atender... É mesmo assim. Quando estivermos descansadas e tranquilas o pai avisará sobre momento em que se iniciarão as visitas... Gostaríamos que ninguém se ofendesse com esta opção com a qual queremos assegurar um início de vida o mais sereno possível para a nossa menina.
O fim deste blog serão as vossas mensagens.
Um abraço para todos e obrigada pelo carinho com que me rodearam durante estes nove meses.

domingo, 1 de Março de 2009

Parto sem dor

Queridas leitoras

Todas nós receamos um

ou mesmo umMas é preciso compreender que ele se deve quase sempre às

ou seja, merdas que nos metem na cabeça...


Assim:

- a
que nos despenteia;

- a que nos põe loucas...

- aque nos espanta;

- o
que nos põe desconfiadas;

- os

que nos põem indignadas;

- a que nos torna estúpidas;
-a
que nos entorta as vistas;

São tudo causas da tão temível




que, é como quem diz, preocupação

TUDO A EVITAR SE DESEJAMOS UM

Prendinhas

A tia Liliana ofereceu estas vaquinhas e fez esta almofadinha com um desenho do tio Telmo!O tio César e o tio Tiago fizeram este penduricalho em papel... (Que é uma prova da paciência e esmero de que vão precisar para aturar a pirralha...) E o tio Oskar, com estes sapatinhos fashion, quer iniciá-la no vício dos sapatos!
A avó Isabel inicia-a, com esta caixa, na arte da poupança e, com este fatinho, na arte de saber estar quentinha!


A minha barriga 7

Aqui está ela às 38 semanas!

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Cá se vai andando

Pois é. Aqui a mamã não diz nada porque anda preguiçosa e derreada. Queria escrever tantas coisas, contar tantas coisas, pôr fotografias da barriga e nada. A Julinha mexe muito, tudo corre bem. A mãe está a fazer uma dieta mais ou menos cerrada.
O tempo vai bom para vir ao mundo. É primavera (quase)... O parto aproxima-se... Hoje sonhei que o Derek e a sua equipa da "Anatomia de Grey" me faziam o parto... E eu pensei "olha que médico tão jeitoso me saiu..." Gostava de escrever um post sobre o parto, o curso de preparação, as minhas intenções, as coisas que tenho lido, as minhas expectativas, o meu medo do previsível atroz sofrimento que se avizinha (apesar de as opiniões divergirem)... Mas tenho preguiça e sono...
Estou feliz. É bom preguiçar. É bom ter tempo. É boa esta espera.
Beijos a todos.

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Julia - Pavlov´s Dog

A tia Susana lembrou e bem esta música em mim cravada desde a adolescência e que, decerto, de uma forma inconsciente, terá contribuído para a escolha do teu nome.

Le Partisan

Olha o que eu encontrei. A minha música preferida desta tão promissora banda infelizmente defunta e a qual o pai Eloi fez parte.

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Hoje sonhei com um pássaro cor de pérola

Hoje sonhei com um pássaro cor de pérola. Era grande e redondo e voava de ramo em ramo comendo bolotas e depois uma espécie de frutos de papel, transparentes, cor de pérola. O céu por trás era também ele cor de pérola. Mas para além da cor tudo tinha a sua forma, textura e volume próprios. Apenas a cor, o brilho e a transparência criavam unidade nesta fotografia. Fiquei a observá-lo até que ele se deixou cair aos meus pés. Tive medo e vi o meu irmão fazer barulho, atirei-lhe com qualquer coisa para ele se calar mas já era tarde, o pássaro tinha saltado para o meu colo e estava agarrado a mim. Acordei com o coração disparado.
E comecei a pensar nas mudanças da minha vida. Tenho-me despedido lentamente do trabalho e dos colegas, sem grandes rupturas. Ontem senti uma despedida maior embora não me tenha despedido de ninguém. Sinto-me sem forças para aguentar o ritmo de trabalho, sem energias nem vontade para gerir o stress das solicitações contínuas que me fazem naquele lugar quando apenas dei lá uma escapadela para tentar deixar algumas coisas em ordem. Doem-me vários sítios do corpo, custa-me andar, baixar-me, estar sentada muito tempo. Sinto-me limitada, tenho de pedir favores a toda a hora. Sei que está na hora de abrandar o ritmo e fiquei aliviada com o facto de ficar de baixa mas algo se rompe neste momento. Nada voltará a ser como antes e as despedidas custam-me sempre. Para além do stress, naquele local há alegria, riso, carinho, gente boa e simpática, bons colegas e amigos. E uma rotina que faço há já sete anos…
Também há pessoas mesquinhas e limitadas de quem não gosto. Às quais me apetecia dizer em jeito de despedida: Já te disse que não gosto nadinha de ti?...
Mas não. Nos últimos meses a minha palavra Norte é serenidade. Perdi o meu não duro, firme, seguro e, nos últimos meses, já aderi a mais cartões do que em toda a minha vida, deixando-me seduzir por todo o tipo de vendedores. O não deu lugar ao sim. Sim, sim, sim a tudo. Não quero mas sim, não me apetece mas sim. Sim porque sim. Porque o sim não me chateia, porque o sim é suave e doce e simpático. Porque eu não quero saber de mais nada para além da minha menina que trago dentro deste aquário-viveiro que é o meu corpo.
Do meu corpo estragado, tão cheio de pequenas maleitas que poderia fazer uma nova versão daquela música (que me tem acompanhado) do “Música no coração” dedicada não a todas as coisas que eu gosto mas sim a todas as coisas que me doem.
O meu corpo e o meu espírito agora programados para essa função primária que é a procriação. O meu corpo emprestado à sobrevivência da espécie.
E agora riam-se, a parte cómica. Se eu fosse outra pessoa não contava isto mas vou contar. Estava eu a ler as últimas linhas do livro do Carlos Gonzalez - Um regalo para toda la vida - e ocorreu-me que talvez eu possa não ter leite para amamentar a minha cria. E eu gostava mesmo de a amamentar. Mas custa-me a crer que destas mamas saia alimento para criar alguém… Uma das últimas coisas a que o autor faz referência a é sobre a possibilidade de amamentar filhos adoptivos. Por incrível que pareça é tão verdade que a produção de leite dependa do estímulo provocado pela sucção que até uma mulher que não esteve grávida pode conseguir amamentar uma criança que comece a mamar nas sua mamas e a estimular a produção de leite! Incrível não é?
Depois ocorreu-me que se a tia Renata estiver cá quando a criança nascer e se eu não conseguir amamentar talvez ela possa dar de mamar algumas vezes à bebé para ela aprender a mamar… (A tia Renata era bem capaz disso!)
E depois tive uma ideia estapafúrdia. E se eu experimentasse o saca leite eléctrico que a Renata me emprestou para ver se já sai alguma coisa?!... (Riam-se, vá, riam-se suas bestas, imaginando a minha figura…) E assim fiz. Colei o saca-leite à mama esquerda cuja potência estava, sem que eu tivesse reparado, no máximo e aquela coisa começou a puxar o mamilo e a soltá-lo, tal qual uma boca de criança invisível, e imediatamente saíram pela minha mama, (imaginem, como é isto possível!) umas gotas de líquido transparente mas leitoso a que se dá o nome de colostro! Querida quando quiseres nasce que, ao que parece, vais ter alimento!
E assim me desatei a rir e compus muito o meu dia que tinha começado com uma madrugada tão triste!
P.S. Querida leitora não tente fazer isso em sua casa! Ao que parece pode provocar o trabalho de parto(!)

Um casaco para a menina


Ao casaco que a mãe te está a fazer só faltam as mangas!

O mundo à tua espera

O mundo que te espera tem, para além da chuva e dos velhos e tristes problemas na Palestina, uma camélia florida no teu quintal


e uns jacintos que brotaram da terra e que decerto verás florir...

A minha barriga 6

A minha barriga por volta das trinta e quatro semanas!

Prendinhas

O tio Telmo ofereceu o primeiro fatinho e a tia Carla a primeira toalha de banho. Ambos estrábicos como a mãe!

O quarto do bebé

O tio Telmo coloriu a cómoda

e o candeeiro...

A mãe acabou a manta grande

e a manta pequena...

domingo, 18 de Janeiro de 2009

Ao ano da Julia!

O final do ano de 2008 fizemo-lo na companhia de uma dor ciática que me restringiu as tão planeadas férias a cama e botija de água quente colada às costas. Cheguei a pensar que para a próxima alugo uma barriga… Mas os movimentos constantes da Julinha fizeram-me já esquecer essa ideia. É capaz de se mexer durante uma hora: Pum! Pum! Trás! Trás! Zum! Ploc! Clic! zzzzzpreis! E por aí fora… É um não parar no oceano da minha barriga. E eu fico embevecida a pôr a mão aqui e ali, tentando apanhar a peixinha, olhando prolongadamente a superfície deste planeta para ver aqueles movimentos. Na adolescência sonhava muito em estar grávida e posso dizer que não fantasiei de mais sobre este estado que é, como dizer…? Maravilhoso?!.... Só posso pedir desculpa pela vulgaridade das palavras.
Na véspera de ano novo levantei-me com uma nova botija de gel colado às costas que aquecida a miúdo no microondas me permitiu assistir à chegada da equipa preparadora da festa: o César, o Tiago, o Oskar, a Carla e o Nuno. Uma mesa a mais, cadeiras e bancos para todos, iluminações e enfeites natalícios, uma nova disposição dos sofás. Entretanto chegou o massagista especial de ano novo, o Mesquita, que em cerca de uma hora de óleos cheirosos me pôs as costas novas… Entretanto chegaram a Jó, o Mário, a Joana, o Nuno e a Carla, a João, o Hugo e a ?, a Inês e o Paulo a Anabela, o Gabriel e o Lourenço, a Ângela e o Rafael, o Mesquita, a Susana e a Marta… A minha ciática deu-me uma pequena folga de alívio e pude desfrutar da companhia dos amigos, da comida, dos risos… O pequeno Lourenço fez charme para todos os convidados e fez com que todos eles dessem um beijo no hipopótamo que a Ângela e o Rafael trouxeram.


Chegaram ainda outras prendas (antes do tempo)
Um álbum de tecido, cheio de cor da Joana e do Nuno

Um fantoche meigo da Carla de Bragança e do Nuno


A festa acabou com uma série de tropelias bêbadas no sofá que me fizeram recordar o riso do progenitor há cerca de treze anos, altura em que o conheci.


O brinde foi muito simpático “ Ao ano da Júlia!”.
No dia seguinte o progenitor ficou colado à cama com tostas e água. A Jó e eu junto à janela a conversar. A Renata, o Paulo e Libânia fizeram uma surpresa e apareceram com uns mega-sacos de artigos para bebés: roupas de bebé, saca-leite eléctrico, pomadas, discos para soutien, ocitocina, álcool etílico, edredão, lençóis, eu sei lá!...
Apesar de ser um dia triste para eles foi bom vê-los, sobretudo ver a Libaninha de ano e tal, agarrada a uma asa de frango e depois a chuchar uma tangerina com apetite…

“Ai Libânia, Libaninha
Mas que nome de princesa
Para ser mais perfeito
Só se te chamasses Teresa!”

Depois foi a vez de ver o Telmo e Pedro no novo ano numa visita rápida, de partida para o Côa (as gravuras não sabem nadar, yô!).
De tarde chegou uma equipa de limpeza, formiguinhas eficientes que numa hora deixaram tudo meticulosamente limpinho e arrumado! Vale a pena ter AMIGOS assim!
Sentamo-nos no sofá a ver as roupinhas que a Renata e o Paulo trouxeram…
À noite (o progenitor ainda preso à cama), separamos as roupinhas por tamanhos, apreciamos, mostramos, discutimos as mais funcionais, debatemos questões de tamanho… Tudo a pensar na Julinha.
No dia seguinte, continuando este ciclo de visitas e casa cheia, vieram a Lara, o Jorge, a Eva e o Mário. E lá vieram mais prendinhas para a miúda! E mais saudades que se mataram!

E no dia seguinte, mais uma vez, vieram o Oskar, o César, o Tiago e a Jó depois de um passeio pelos caminhos do Romântico, cheios de boa disposição… Trouxeram os ingredientes, fizeram o jantar…
E no dia seguinte, para encerrar esta temporada de festas, vieram a Alice e o Acácio, o César, o Tiago e o Oskar para a despedida do Oskar que infelizmente nos deixou e voltou para Tarragona.
A ciática ficou esquecida no meio de tantos mimos. Endorfinas não devem ter faltado para a menina com tantos amigos!
Foi um início de ano memorável que não pretendo esquecer nunca! Beijos para todos!
Ao ano da Júlia!

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Drop´s de Hortelã - Oswaldo Montenegro e Glória Pires

Esta música colou-se-me ao ouvido durante esta gravidez. A letra para mim indecifrável sugere-me qualquer coisa que também não percebo bem. O conjunto mexe comigo sem eu perceber porquê... Mistérios da música... Talvez a reconheças quando nasceres. (Espero que o vídeo não consiga estragar a música)

Aquarela - Toquinho

Esta música foi-me oferecida por dois amigos especiais num momento difícil da minha vida. (encontrei-a hoje pr acaso no blog de uma recente visitante). Ouvi-la vezes sem conta ajudou-me a ganhar forças para ganhar forças. Devolvo-a agora a vocês, tio Paulo e tia Renata, esperando que tenha o mesmo efeito na vossa vida.

http://www.youtube.com/watch?v=NcSgW1tBYrg

E aqui estou eu, ilustrada pelo tio Major Tom, a fazer um casaquinho de bebé!

Prendinhas

O estupor da miúda já tem mais prendas do que eu na minha vida inteira e ainda não estão aqui todas!

Livros de histórias do tio João...
Uma vaca silenciosa e uma vaca cantadeira da mãe e do pai uns patinhos da tia Bebé...

Um vestidinho e um muda fraldas da tia Patrícia dentista, uma mantinha do tio César, uma bolsinha da tia Jó, um camelo da tia Berta, carapins, cobertor e manta da avó Luzia, um quadro da tia Carla, um ursinho da tia Bebé...

Uma caixa de música que viajou pelo atlântico para aqui chegar, da tia Renata dos Açores...

sábado, 27 de Dezembro de 2008

Minha vida, dás um jeitinho para a menina?...

Hoje acordei e pus-me a pensar em ti. É um hábito que estou a ganhar com esta nova paixão. Gostava de te dizer que não vens preencher nenhum vazio na minha vida. Porque na minha vida não havia vazios para preencher. Toda ela era cheia. Cheia de amor, de amigos, de emoções, de gostos, de trabalho, de convicções, de prazer… É nesta vida que eu te vou encaixar. Com um “dás um jeitinho?” ao trabalho, às paixões, aos amigos e às emoções. Arranjo espaço para te encaixar na minha vida. Penso em como será o nosso encontro. Como será o nosso amor. Imagino-nos nos primeiros tempos, juntos, com o pai, no primeiro mês, a descansar do nascimento, a alimentarmo-nos, a ganhar forças, numa casa bem aquecida… Será um namoro de cuidados e carinhos. Muito leitinho da mãe, banhinhos suaves, tutus bem limpos, cama quentinha e, nos dias de sol, pequenos passeios a ver o mundo a partir do jardim cá de casa. Veremos as primeiras flores da primavera, os narcisos e os lírios que estarão floridos quando tu nasceres. Depois virão aquelas flores vermelhas as quais chamam “olhos de gato” e aquelas flores brancas às quais chamam flores da amizade. São flores que renasceram sozinhas neste quintal, semeadas pela Fatinha há uns anos atrás. E depois virão as árvores das flores, do pessegueiro, da amendoeira… Ou será antes?... Tens também uma magnólia e uma azálea de flores brancas… E tens muitas flores que eu não me lembro, porque um jardim e uma mãe esquecida resultam nisto, todos os anos me espantar com as flores a florir por já não me lembrar que elas estavam ali! À medida que fores crescendo, naqueles seis meses em que estarei sempre contigo, iremos começar a passear todas as tardes. Vamos descer a rua e ver o rio, ouvirás os sons do Verão, da praia cheia de gente a chapinar na água. Iremos ver árvores grandes ao jardim da Lavandeira e eu vou-te falar sobre o buraco negro que ele era na minha infância, espaço secreto, fechado à comunidade que ao lado dele vivia. Mas sobre isto tu não vais perceber nada.
Depois desse espaço que arranjarei para ti, que no início será todo teu, serás tu a dar-me espaço e eu a dar-te espaço para tu cresceres. Assim que puder voltarei para o jardim e tu serás promovida a jardineira assessora. Se tu quiseres, nos dias de chuva, e quando já tiveres pulmões para isso iremos entrar na câmara mágica da fotografia. Um laboratório de alquimia onde faremos aparecer imagens de uma folha branca. Crescerás a ouvir os sons da guitarra do pai e talvez te interesses por mexer nas cordas que dão música. Temos muitas histórias para te contar antes de tu adormeceres. Para onde formos tu irás. Vais conhecer tanta gente que vem cá a casa! Tu vais gostar. São todos diferentes.
É assim que eu imagino que seja.

Memórias de infância

Ontem eu e o pai falávamos de educação. E discutíamos se se devem ou não dar palmadas no rabo para educar. O pai acha que sim e eu acho que não. Se bem nos conheço ele nunca te dará uma palmada mas eu sim!
Para defendermos cada um de nós o seu ponto de vista, íamos dando exemplos de actos graves das crianças que poderão requerer a metodologia da força. E eu lembrei-me de uma das mais graves asneiras da minha infância que poderia ter justificado umas valentes e "merecidas" palmadas. Eu tinha 11 anos e havia lá na escola um rapaz chamado Cláudio. O Claudio era um rapaz muito magrinho, ruivo, com os dentes encavalitados, cheio de sardas, o nariz a terminar numa bolinha arrebitada. Era nosso vizinho e pertencia a uma família "esquisita". Os pais vestiam calças à boca de sino, tinha muitos irmãos, todos eles cheios de sardas como os pais. A mãe não tinha sobrancelhas e desenhava um risco arqueado acima dos olhos.
Um dia, a caminho de casa, tive a brilhante ideia de agarrar o Cláudio por um braço, na viela, onde ninguém nos via, e andar com ele roda, rindo-me enquanto ele gritava...
Todas as crianças, mesmo as mais bem comportadas e cheias de amor de mãe como eu, um dia têm um ataque de estupidez...
A mãe do Cláudio, e muito bem, foi falar com a minha mãe. A minha mãe não me bateu. Mas passou-me um valente raspanete com a sua voz zangada. Não posso, porque não consigo, descrever a imensa vergonha que senti pelo que fiz, o imenso pesar por ter desiludido a minha mãe… Palmadas valentes não teriam surtido tão brilhante efeito neste ensinamento sobre o respeito pelos outros e pela diferença… Palmadas valentes teriam gerado revolta e ódio que provavelmente seriam sobre o Cláudio e não sobre os meus actos. Tudo o que eu queria como educadora era ser como foi a minha mãe que, embora me tenha dado palmadas, não foi assim que me educou. E quando um dia me castigou injustamente porque me julgou culpada de uma coisa que eu não tinha feito me soube, do alto dos seus metros, pedir desculpa.
Isto não é uma defesa da condescendência! É a defesa da disciplina e da educação (se possível) sem recurso à violência…

quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Dona Flora

Dona Flora, como o seu próprio nome indica, era uma senhora que gostava de flores. Gostava de flores, do nascimento e da vida. De tudo o que nasce e cresce. Gostava de as semear, de as regar, de as cuidar, de lhes limpar o pé, de lhes retirar as folhas secas e, sobretudo, de as as ver crescer e florir. E como gostava de flores e de nascimento e de crescimento também se encantava com os bebés que estavam para nascer. E sempre que sabia que, algures na sua terra, um bebé germinava e crescia na barriga da sua mãe, Dona Flora desatava a fazer carapins, primeiro brancos e pequeninos, depois maiores de todas as cores. Enquanto os pezinhos cresciam, Dona Flora imaginava que os seus carapins eram como um bafo quente que ajudava o bebé a crescer.

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

A minha barriga 5



Aqui está ela com vinte e sete semanas!

Prendinhas







Prendinhas e mais prendinhas! Beijos aos tios Carla, Alice e Telmo!


domingo, 30 de Novembro de 2008

Desenho da Andreia

Este lindo desenho indicar-te-á a direcção da caminha...

Memórias registadas a 29 de Fevereiro de 1994

Quando era criança
E vinha nas tardes de quase Verão
A caminho de casa
Costumava andar de costas
E ver a rua a fugir

sábado, 29 de Novembro de 2008

Memórias registadas 4 de Janeiro de 1994

Um dia os saltimbancos chegaram
Como era criança
não me perguntei
de onde vinham
como viviam
e para onde iam

o que importava
era o jardim da Lavandeira
iluminado com saltimbancos
com trapezistas brilhantes
que voavam
por cima da terra
onde se costumava jogar à bola
que por uma noite
tornavam sagrado, mágico
esse espaço profano

Memórias registadas a 1 de Fevereiro de 1992

Quando estou perto de pinheiros
espirro
As alfaces sem químicos
provocam-me alergia
Os frangos caseiros
dão-me vómitos
Ar puro
faz-me comichão
Gosto de me sujar na terra
quando previamente vesti
uma roupa velha
Gosto de me banhar no mar
quando vesti um biquini
para me mostrar
Gosto de estar ao sol
quando me revesti de um anti-sol
Nasci do lado da cidade
de pequena aprendi
a brincar de cócoras
por causa da sujidade
Por trás da casa
havia um pequeno
quintal
no quintal havia uma árvore
na árvore havia um baloiço
a árvore cortaram-na
incomodava ao vizinho
ver-nos perigosamente
a andar de balancé
Havia também uma roda
uma bomba de tirar água
um dum lado
outro do outro
um subia
outro descia
outro subia
um descia
O vizinho
pôs uma tábua a entravar
a bomba
porque era perigoso
subíamos demasiado alto
talvez ríssemos demasiado alto também
Em casa do vizinho
comia-se sempre ao meio dia
tudo estava limpo
tudo estava arrumado
Lá, não se diziam palavras feias
como gajo
E a velha dizia quando eu ia mexer nos seus
frasquinhos de medicamentos vazios
nos frasquinhos que ela amontoava numa cesta
no móvel debaixo da televisão:
Não bulas
O velhotinho punha-me no colo
e fazia-me duas tranças
à janela
Quando a velha ia lá a casa
eu escondia-me por trás da porta da cozinha
tinha cinco anos e ainda mamava no biberão
Menina feia, menina feia
E depois foi aquela tristeza
uma chávena de leite em cima da mesa
olhava para ela
a pensar como é que ia beber por ali
mas bebi

A velha morreu
o velhotinho também
não estranhei nem senti falta de ninguém

Depois ouvi dizer:
- Uma desgraça nunca vem só
Não há duas sem três
e morre o filho dos velhos

Depois ouvia a conversa da minha mãe
cá de baixo, perguntei
- O que é raro mãe, o que é raro?...
- É uma coisa que acontece poucas vezes

Foi mais uma palavra que aprendi

Depois havia uma cesta velha
de brinquedos velhos-novos
Brinquedos velhos: uma balança, um fogão, um porta-retratos, uma mesa pequenina de madeira sem uma perna, uma jarrinha azul claro de plástico
as couves no quintal
para brincarmos a fazer sopa
Um ancinho de criança
Uma vassoura pequenina
Fazíamos as casas
baptizávamos as bonecas
Quando a brincadeira estava melhor
aparecia mãe dela para a vir buscar
e nós dizíamos : - Logo agora!
Houve eu aprender a andar de bicicleta
Houve a minha primeira bicicleta
cor-de-laranja
Havia entardeceres quentes de Verão
vir da escola, lanchar e ir andar de bicicleta
No jardim
a criançada
brincava
Andar de bicicleta
jogar à patélinha
num entardecer de S. João
era bom

Memórias de infância

Preparar-me para a maternidade tem sido também lembrar-me da minha própria infância. Este texto constitui um preambulo para o registo de algumas memórias que gostaria de registar aqui.
Como salvaguarda da fiabilidade destas evocações, sobre a memória, terei que colocar aqui um excerto de “Os que Sucumbem e os que se Salvam” de Primo Levi que li ontem e que me espantou (como me espanta sempre este fabuloso autor que tem de ser lido com muito tempo para pensar):
"A memória humana é um instrumento maravilhoso mas falível. (…) As recordações que jazem dentro de nós não são gravadas em pedra; não só têm a tendência para se apagarem com os anos, como também é frequente modificarem-se, ou inclusivamente aumentarem (…). Mesmo em condições normais actua uma lenta degradação, um ofuscar dos contornos, um esquecimento, digamos fisiológico, a que poucas lembranças resistem. É provável que se possa reconhecer aqui uma das grandes forças da natureza, aquela mesmo que degrada a ordem em desordem, a juventude em velhice, e apaga a vida na morte. É certo que o exercício (neste caso, a frequente evocação) mantém a recordação viva e fresca, do mesmo modo que se mantem eficiente um músculo que seja exercitado com frequência; mas também é verdade que uma lembrança evocada com demasiada frequência, e que se exprima sob a forma de relato, tem tendência para se fixar numa espécie de estereótipo, numa forma verificada pela experiência, cristalizada, aperfeiçoada, adornada, que se instala no lugar da lembrança em bruto e cresce à sua própria custa”
São assim as minhas memórias, “aperfeiçoadas”, “cristalizadas” por ao longo dos anos serem evocadas, hábito que devo à minha mãe pois passei a minha infância a ouvi-la a contar as suas próprias memórias. O mesmo se passa com os sonhos, com os quais, uma vez verbalizados, ocorre um fenómeno semelhante. Fixámo-los, memorizámo-los e damos-lhe contornos lógicos, cartesianos, uma estrutura que lhes permite permanecer no tempo e recordarmo-los mesmo anos depois.

A tua mão

Sonhei que vi a tua mão aberta a transparecer através da minha barriga. Toquei-lhe com a minha mão aberta e esse contacto foi tão intenso que eu lancei um grito

Quem é que manda aqui? Árvore da vida

Todo este silêncio significa que durante as duas últimas semanas tive, na primeira, tanto trabalho e stress que, na segunda, caí de cama.
Durante este tempo que estive na cama ocorreu-me que não passo de um ramo dessa árvore chamada mãe natureza disposta a tudo para fazer vingar o seu fruto. O fruto acomodado no meu ventre não precisa de fazer nada pois se eu não me cuidar, se eu não o cuidar, ali está a grande árvore para me obrigar a fazê-lo.
Estou assim ligada à terra.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Mais pieguices

A mantinha... Penduricalhos...

E uma pintura do avô de um país cheio de cor...


quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

O quarto do bebé


É assim à moda antiga como muita coisa na casa que te vai receber. Tecto de estuque, janelas de guilhotina. Era a antiga sala de visitas desta casa onde viveram onze pessoas no séc. XX. É um quarto do séc. XIX para uma criança do séc. XXI. É o compartimento mais ilustre e aburguesado da casa! Deu muito trabalhinho aos pais. Ainda este Sábado andei a arrastar a barriga pelo chão para o emaçar (desde os anos 40 que não havia uma grávida a trabalhar tanto, foi uma ceifeira no Alentejo!). O tecto foi agora arranjadinho pelo Aurélio (que também viveu nesta casa), a janela da direita foi restaurada pela mãe e pelo pai, a janela da esquerda foi feita de novo pelo Sr. Diamantino aqui da rua, as portadas foram restauradas pelo pai e pela mãe. No restauro descobriu-se que eram originalmente acastanhadas e que tinham aquele desenho que eu copiei e pintei de novo por cima da pintura branca. As paredes foram tratadas pelo Aurélio quando vivia cá em casa e foram agora pintadas pelo pai e pela mãe num Sábado. Nesse Sábado passou por aqui o Tono, vizinho cunhado do Aurélio nascido e criado nesta casa que me disse "Miga não devias andar em cima de uma escada". Nesta sala de onde saiam para todos os vizinhos sons fortes de guitarras eléctricas e baterias porque, como dizia a falecida Miquinhas da mercearia da frente, sempre foi uma casa de músicos, vais tu dormir, brincar e olhar o rio pela janela. Está cheia de histórias e tu serás a protagonista das que vêm a seguir. Espero que gostes.

Uma segunda adolescência

A gravidez recorda-me frequentemente a adolescência.
As mudanças no meu corpo são grandes e repentinas. O espelho é um companheiro diário. Alegro-me pela mudança, entristeço-me por ser lenta, espanto-me pela sua velocidade. Alegro-me e estranho a transformação. Gosto e não gosto deste crescer. Estranho a imagem reflectida no espelho. Onde está a minha magreza? E ocorre-me "esta camisola não, pareço um rinoceronte". Chateio-me se me dizem que a barriga está pequena.
Quem é que disse: Dói crescer mas é tão bom!?
Ando feliz e choro. Choro se me ralham. Rio-me até ficar com dores de barriga. Rio-me sem parar até me doerem os maxilares…
Só precisava de mais tempo para mim.
Sinto agora um tempo longo à minha frente. Uma nova vida. Um outra vida.
E ocorrem-me muitas interrogações sobre o futuro: como será a minha vida daqui a um ano? Como será daqui a dez anos? Como serei eu? Como será ela? Como seremos nós os três depois?
E tudo me parece que será bom.

Estudo para a mantinha

É um post piegas, é. É um assunto bem sério. É a mantinha do bebé.

A minha barriga 4


Aqui está ela com vinte semanas!

Um abraço ao tio Pedro, à tia Joana, à tia Liliana, ao tio Jorge, às tias Anabelas e à tia Bia

Por encherem o meu dia-a-dia de mimos que me soltam endorfinas e te alegram a ti!

Um abraço à avó Luzia

Que diz que está por mortinha por ver-te!

Um abraço à tia Marta

Pelo bercinho e mais roupinhas de grávida. O primeiro permitir-te-á dormir perto de mim. As segundas permitem-me ser uma grávida fashion!

Um abraço à tia Liliana

Pelo segura bebés de trazer ao colo e mais ropinhas de grávida e todas os carinhos diários com que me mima...

Um abraço à tia Carla e à tia Donai

Pelo maravilhoso doce de abóbora e nozes!
(Dois frascos lambidos em menos de um fósforo... Pecados meus...)

Um abraço ao tio João


Que ofereceu este lindo livro que descreve as sensações de uma mãe nos primeiros meses e começa assim:
"Estes pezinhos que se agitam davam-me pontapés na barriga. Não posso acreditar que tenha saído de dentro de mim."
E eu penso: Estes pezinhos que estou prestes a sentir. Não posso acreditar que um dia estarão fora de mim...

Bésame Mucho

Ler tanto e de tão diversas tendências servir-me-á pelo menos para fazer o mesmo que faria se não tivesse lido nada mas com a segurança de que o posso fazer.
Do que li até agora, este autor, Carlos Gonzalez, é o mais crítico, o mais fundamentado, o mais sólido e convincente de todos. E defende algo de muito simples: o amor. Contra uma série de correntes de puericultura que sublinham a importância da rotina, da disciplina, do condicionamento e até da repressão, este autor defende a importância do amor, da atenção, da flexibilidade, da compreensão. Acredita no ser humano como ser programado pela natureza para sobreviver integrando-se naturalmente na família em que nasce. O bebé não é mal intencionado, não é manipulador, o bebé é indefeso e depende completamente dos cuidados do progenitor. A sua principal ferramenta para buscar protecção é o choro. É com ela que assegura a proximidade do progenitor da qual depende a sua sobrevivência. Aprende sobretudo por imitação e recebendo amor agirá com os outros da mesma forma.
Assim, acarinhemos, embalemos, perdoemos, compreendamos e amemos os nossos filhos e tudo correrá bem.
Peca, na minha opinião, por nos dizer o que não fazer mas nos dizer pouco o que fazer.
RECOMENDO!

Ouro de tolo de Raul Seixas

A tua mãe é assim.

http://br.youtube.com/watch?v=7o-eY9YtoSU

segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Será menino?... Será menina?...

Hoje fui à ecografia das vinte semanas e já deu para ver o que é...

Querido público, é chegado o momento de responder à questão todos os dias levantada pelos mais diversos espectadores que se cruzam com esta barriga com pernas.

A médica disse, deixem-me ver que não sei onde pus o papel...

Ai que cabeça a minha...

Ela disse...

Menino ou menina...

É que não sei mesmo...

Aqui está! Menina!

quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

A minha barriga é privada!

Tenho notado um comportamento curioso nos membros da minha espécie. Todos os dias ouço recomendações sobre o que comer, o que fazer, o que não fazer... Perguntas, questionários, se fumo, se bebo café, que não posso beber café, se faço desporto, se tenho relações sexuais, nessas relações qual é a posição que adoptamos, se é devagar ou à bruta, se tomo o ácido fólico, e o magnésio e o ferro, se a roupa está folgada, se não tenho trabalhado muito...
Acho engraçado e normalmente respondo com atenção e disciplina aos questionários mas no outro dia aborreci-me e disse: "Menina, isto não é propriedade pública, ainda é privada, é a minha barriga!" Gostava de saber se se algum dia ele for vítima de agressões, de abusos sexuais, de exploração por parte do seu patrão, se existirá tanta cidadania e participação na defesa dos seus direitos ou se aí toda a gente se cala...

Cuidados a ter II

- Não passar por baixo de cordas senão o cordão umbilical enrola-se à volta do pescoço;
- As mães devem ter dores de parto senão as dores passam para o bebé;
- Não beber de copos rachados porque senão podemo-nos cortar e a criança nasce com lábio leporino;
- Não aproximar tesouras da barriga (esta parece-me importante, sobretudo se for a toda a velocidade!);
- Se a grávida não satisfazer todos os seus desejos (eu gostaria de acrescentar também caprichos) a criança nasce de cabelo em pé

Mais, digam mais...

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Cortar o cordão umbilical

Hoje sonhei que fiz o parto a uma colega minha de trabalho. Ela estava deitada em cima de uma cama de barriga para baixo. Alguém disse que ela já tinha dois dedos de dilatação e eu fui ver. Percebi que a cabeça do bebé já se via e fiquei a vê-la a aproximar-se. Ela começou sair e logo saíram os ombros. Eu, com medo, percebi que tinha de pegar na criança. Retirei-a e pousei-a em cima da mãe porque sabia que é bom. Saí para a rua a perguntar se alguém sabia como é que se cortava o cordão umbilical.
Às vezes os meus os meus sonhos são tão claros, lógicos racionais e óbvios que eu tenho medo que as pessoas pensem que eu os invento...

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

A incorporação do feto

Primeiro ele alojou-se, minúsculo, dentro de mim. Ainda não o sentia e tomava decisões sobre a minha vida sem levar em consideração a sua existência.
Depois ele enviava-me mensagens que eram flechas a fazer ricochete. Não o ouvia e perguntava-me: “Porque é que acabei de comer agora um chocolate inteiro?”, “Que irritação! Terei motivos para o esganar ou será tensão pré-menstrual?”
Depois descobri a sua existência e estranhei. Pensei, pensei. E sentia-o por vezes como um intruso a crescer dentro de mim.
Depois, lentamente, fui-o incorporando. À medida que o meu corpo o agarrava, que a placenta se prendia ao útero, a minha mente prendia-o à minha alma.
E agora ele é um prolongamento de mim.
Como poderei um dia solta-lo?

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

A lamechice da grávida

Querido público

Fui ontem acusada de ter inciado este blog num tom crítico-filosófico e de depressa ter caído numa lamechice desenfreada. Devo a todos os que depositaram esperanças em mim, um sincero pedido de desculpas. Podem não aceitar a justificação mas tudo isto é um pouco culpa das hormonias. Reconheço que o nível intelectual tem baixado e que a razão tem sido progressivamente substituída por um sentimento meloso. Mas guardo em mim uma centelha dos tempos idos e não quero deixar de partilhar convosco um desabafo que ontem ainda tive espírito para soltar, um pouco ao estilo antigo. "Será que vai sair um dorminhoco comilão ou um choramingas cagão?"

A prima Morgada

Fez ontem uma semana fomos visitar a Morgadinha. O pai passou-ma imediatamente para o colo e eu que tenho os braços enferrujados de pegar em crianças lá me ajeitei. O facto é que, seja por instinto, seja por necessidade, o jeito perdido há cerca de vinte anos (em que o vizinho da frente corria em direção a mim de braços abertos gritando “Tété!”) parece estar a regressar. E quando, de repente, desencantei uma brincadeira para criança de quatro meses que consiste em subi-la e descê-la fazendo pequenos estalidos com a língua, de repente, vejo um sorriso intenso, quase sufocado, emocionado com as alturas e a adrenalina!

De madrugada acordei com insonias e lembrei-me daquele sorriso para adormecer...

E senti-me uma fêmea primata prestes a raptar a cria de outra fêmea da minha tribo só para a ver sorrir...

quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Cuidados a ter I

- Não usar colares porque o cordão umbilical pode enrolar-se à volta do pescoço;
- Comer tudo o que se vê. Não é apenas o que a grávida deseja mas tudo o que vê senão o miúdo pode botar o sentido;
- Não encostar animais à barriga senão a criança nasce peluda;
- Não tomar banho no mês do parto senão o parto sobe à cabeça;
- não beber directamente do gargalo porque senão a criança nasce de lábio rachado. O mesmo pode acontecer se se usarem chaves ao pescoço;
-não comer polvo senão as ventosinhas do polvo passam para a pele da mãe;
- não cheirar flores senão a criança nasce com a marca da flor na pele;
- Quando a criança nasce deve-se vestir uma peça de roupa vermelha. Isto porque as crianças nascem muitas vezes amarelas (às vezes da mãe comer muitas laranjas e tangerinas e assim...) e vestindo uma peça vermelha contraria o efeito do amarelo;

Mais? Digam mais...

Um abraço ao tio Óscar

Estou a ler o livro do Sr. Gonzalez "Um regalo para toda la vida" e estou a gostar de o ler em castelhano. Pelo tom informal em que está escrito e pela língua, pela fluência, e boa disposição ouço a sua leitura pela voz do Óscar. Assim, Óscar, ficas a saber que foste tu que me deste todas estas informações sobre o fantástico mundo das mamas como fonte perfeita de alimentação!

Um abraço ao tio Telmo


Este livro foi o tio Telmo que ofereceu mal soube da notícia. É giro porque é leve, tem conselhos, informações, sugestões e vou vendo nele o que se passa de novo a cada semana que passa.

Mas que coisa é esta dos tios?

Os tios são a família por afinidade. Antigamente nas aldeias todos eram tios, talvez porque a aldeia era uma comunidade que funcionava como família extensa. Como disse o Sr. dos aviões que um dia encontrou um príncipe, não são apenas os laços de sangue que definem o que é a nossa família.

O tio Nino também te abraça



(Calma, a toxoplasmose transmite-se pelas fezes, não pelos abraços...)

Um abraço ao tio Nino e à tia Núria

Que cá te esperam!

Um abraço à tia Renata



Esta tia maluca enviou de Sevilha pelo correio estes dois grandes caixotes de coisinhas para ti e para o bebé da tia Irene. É ou não é um amor?
Enviou também este livro fantástico que eu estou a devorar!
Um abraço à tia Renata!

domingo, 28 de Setembro de 2008

Dúvidas

Amniocentese, fazer ou não fazer...
Parto na água, parto em casa, parto no hospital...

Aqui está um link para começar a pensar no parto

http://naturalmentegravida.bloggeiros.com

Agasalho para o bebé



Aqui está o resultado de uma manhã a calcorrear as ruas do Porto. Um conjunto de paninhos para fazer uma manta de retalhos (nome chique: patchwork). Infelizmente descobri que algumas das lojas de tecidos que conhecia fecharam. Lojas com prateleiras inteiras de azuis, azuis para todos os gostos. Lojas onde podiamos encontrar aquele azul que tínhamos em mente. O resultado é a massificação dos tecidos. Padrões que se repetem de loja para loja.
Enfim, ainda assim tentarei fazer uma coberta para ti, só tua e não igual a outros dez mil meninos...

Alimento para o bebé


Directamente da macieira para a minha mão, da minha mão para a minha boca, da minha boca para ti. Que te saiba tão bem como a mim...

A minha barriga 3

Aqui está ela com 15 semanas

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

15 semanas - uma satisfação ao público

15 semanas e muitas coisa para dizer. Acontece que um vírus fatal atacou o computador do progenitor e por isso não tenho dito nada. Até breve!

sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Uma abraço ao tio César

Porque foi ele que hoje esteve a pôr estes mimos de passarinhos e peúgas!... Está muito giro!

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Educar

Desde criança que me interesso pela educação das crianças! Talvez pelo facto de um dos poucos livros existentes lá em casa ter sido um calhamaço do círculo de leitores chamado precisamente "A Educação da Criança" e que eu usei como manual onde experimentei juntar as primeiras letras. Observo crítica e severamente a educação das crianças. Penso, desde muito cedo: "fazer isto", "não fazer aquilo". Antes de me preocupar em como mudar fraldas ou dar banho preocupo-me em saber educar. Educar para ajudar a criar um ser humano que encontre um lugar no mundo em que se sinta livre e sem medo para explorar mas observador e atento para compreender, pôr-se no lugar do outro e respeitar. Um ser humano, consciente de que é especial por ser único, consciente de que é banal por ser um no meio de milhões e milhões. Um ser humano consciente de si como membro de uma espécie perturbadora que deverá encontrar outro rumo para estar no planeta terra.
Um ser humano feliz que consiga distinguir o essencial do acessório.
Pode ser picheleiro, médico, jardineiro, juiz, astronauta, técnico de análises clínicas, dentista, electricista, agricultor, piloto de aviões, educador de infância, técnico de vendas, arquitecto, o que de mais bonito ou enfadonho consigam imaginar... mas que seja feliz e capaz de fazer os outros felizes.
Talvez quando eu lhe diga isto ele me responda: "não fizesses planos, eu cá prefiro ser infeliz, não pedi para nascer!"
Não quero fazer planos mas quero criá-lo sólido, com sensibilidade, distinguindo o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto. Como não fazer planos, como não condicionar? Eu quero condicionar. Como disse o Óskar, não me tornarei diferente do que sou por ser mãe e é natural que criemos o nosso filho de acordo com os nossos valores. Mas sem pretensões de inteligências fora do vulgar, nem percentis acima da média.
Deixo aqui duas sugestões de leitura, duas maneiras de estar diferentes. Todos os pontos de vista diferentes são bem vindos. Quero ter tempo para mastigar e digerir. Ainda tenho seis meses para me encher de teoria! Aceito sugestões de leitura.


Um abraço à tia Alice

A tia Alice mandou uma prenda muito meiga. Duas chupetas de recém-nascido!

Um abraço ao tio Mário

o tio Mário trouxe no Sábado uma prenda muito gira. Um vintage para o pirralho beber quando já tiver deixado de o ser. Foi obrigado a escrever uma dedicatória. É que isto de ter pais alcoolicos põe em perigo a concretização da ideia.

Uma abraço à tia Carla

A tia carla é a grande patrocinadora deste evento. Cama, sacos e sacos de roupa, carrinho, banheira. Um enxoval completo para nós só tratarmos do amor! Diz obrigado/a à tia Carla...

Um abraço à tia Lara

Hoje chegou pelo correio uma encomenda da tia Lara com roupas de grávida para atenuar o meu sofrimento. No Domingo juntei uma roupita para passar a ferro e entre cada calça e saia que experimentava crescia a minha aflição. Não passavam da anca e quando passavam não apertavam na cintura! Tinha planos para durante a gravidez vestir o traje típico da ribeira: calças de fato de treino e umas chinelas. Mas agora que estou grávida, curiosamente, ainda me sinto mulher. Afinal não sou um mastodonte. E quero andar bonita tal como antes. De maneira que estou muito contente, em particular com a calça vermelho moranguito e com uma calça de linho de grávida com muita classe... Por isso estou a tentar que o miúdo fale. O que é que se diz à tia Lara...? Obrigado/a...
(Para sempre vou guardar o perfume desta encomenda...)

domingo, 7 de Setembro de 2008

Sim ao sistema de saúde público

Fui para o sistema de saúde público por convicção. Tive até há pouco tempo um seguro de saúde, podia ter-me rendido à aparente segurança dos privados mas quero um sistema de saúde PÚBLICO neste país, com saúde gratuita para todos. E acho que, se as pessoas mais instruídas e com mais instrumentos de defesa abandonam os serviços públicos poderão vir a ser co-responsáveis pelo seu desaparecimento. Mas confesso que tinha receio e sobretudo não quero que o meu filho comece a pagar antes de nascer pelas convicções políticas dos pais. Pois de vez em quando é natural que surja a dúvida se estou realmente a fazer o melhor para ele.
Não quero deixar de dar a conhecer aqui o meu "testemunho" sobre o sistema nacional de saúde. Para que não fique apenas a imagem proporcionada pelo episódio do médico bronco. Tenho sido muitíssimo bem atendida no Hospital. Boas instalações, profissionais meigos, simpáticos, que informam bem e com calma, exames aparentemente cuidados e completos, sem tempos de espera para consultas, sem pagar um tostão, um espectáculo! E sobretudo sei que não sou um negócio!

13 semanas

Hoje a criatura faz oficialmente 13 semanas. Esta semana foi reveladora. Fomos fazer a ecografia e ali apareceu ele na televisão. Ostentando a sua existência, nítido de fazer pasmar. Com mãos, pernas, barriga, nariz… Como quem diz: para quem não acreditava aqui estou eu! Dançou, rodopiou e disse-nos adeus da televisão.
O estupor do miúdo só lhe falta falar…!

De acordo com o manual oferecido pelo tio Telmo ele já tem quase tudo, só lhe falta crescer! (Ou seja, como maior parte da humanidade…)
Coração, intestinos, mãos e pés, nariz, pulmões e nesta semana já brinca com o cordão umbilical (tão pobre o meu menino, não tem mais nada com que brincar…)
Depois, para os mais piegas, coloco aqui a fotografia…
Queridos amigos. Este diário vale a pena mesmo que não seja lido por ninguém. Porque mais tarde o protagonista irá com certeza gostar de o ler. Mas era mais giro se aqui registassem um comentariozito de vez em quando… Daqueles que me dizem ao telefone ou quando me encontram… Para ele ver como tinha simpatizantes antes de nascer…
QUERO COMENTÁRIOS PARA O MIÚDO! Já! Senão ele pode ficar traumatizado…

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

A minha barriga 2

E eram estas as novidades...
Fico à espera de comentários... De amigos, psicólogos e etólogos...

Porque choram as grávidas?

Talvez por influencia de demasiadas leituras de Desmond Morris, talvez por influencia do filme “Morgan” (Era assim que se chamava?) – um filme inglês que vi há muitos anos por várias e repetidas vezes em que o personagem principal continuamente fazia associações entre os seres humanos que observava e animais selvagens imaginando cenas com chimpanzés, pavões, etc. – talvez por influência do estudo da pré-história, dos poucos livros de etologia que li e das leituras darwinistas que fiz, tenho por hábito procurar paralelismos entre atitudes minhas e das pessoas que observo e atitudes do mundo animal… E procurar justificações biológicas ou melhor dizendo imaginar (imaginar sem medo e sem pretensões científicas) justificações para as minhas acções…
E então ocorreu-me que esta coisa da choradeira compulsiva sempre que alguém é um pouco menos meigo comigo seja a atitude de uma fêmea grávida que, de repente - qual animal que no meio de uma luta se vira de patas para o ar a pedir rendição - pede protecção. Para si e para a sua cria. Porque qualquer agressão pode significar risco, ela tenta inspirar em todos os que a rodeiam sentimentos de protecção.
Talvez deva resignar-me com esta minha nova maneira de ser lamechas…
(Não aceito criticas a esta minha teoria… Estou sensível… )

Mais pequeno que um feijão

Quando sonho com um filho meu, mesmo antes de engravidar, o sonho é recorrente. Ele é minúsculo e normalmente eu esqueço-me dele… (Freud, onde estás?... Explicas-me?...)
Sonhei há dias que estava com o meu bebé que era tão pequeno que eu pegava na chupeta com a ponta dos dedos. Não encontrava as fraldas e os cremes e ele precisava de ser mudado. O que era um sinal vergonhoso de que tinham sido sempre outras pessoas a mudá-lo…
Depois eu estava a alimentá-lo com uns minúsculos suspiros que eu pegava com a ponta dos dedos (escusado será dizer que nesse dia tinha comido uns maravilhosos suspiros de S. Braz de Alportel daqueles estaladiços e cremosos por dentro, tão bons como os da pastelaria em frente à escola primária…)

Viagem ao interface

Eu estava no interior da parede da placenta. Esta parede era grande e feita com uma estrutura como o tabuleiro de baixo da ponte D. Luís. Mas em vez de ferros direitos e cruzados era feito de um material transparente por onde corria continuamente muita água. E eu pensei: “Realmente, agora já percebo porque é que é tão importante beber água…”
Foi uma viagem ao interface que me separa do meu futuro pirralho… E talvez uma acção de sensibilização promovida por ele para eu beber água! Já manda…

sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

O meu inquilino

As hormonas serenaram e vou de férias... Tudo corre bem. Que pena não poder comer marisco... Nada melhor que uma tarde de praia seguida de um lanche ajantarado de marisco, pão com manteiga e cervejinha... Nem marisco nem cerveja...
Resta-me uma sopa de cação... E peixe grelhado... Saladinha... Nada mau.
Se tudo correr bem serão as últimas férias a dois. Para o ano seremos três... Como será?...
Alguém me disse há dias que à medida que o tempo passa sentimo-nos mais acompanhadas. Eu já me sinto a companhada. Alguém me perguntou há dias se eu pensava na gravidez todo o dia. Pensar não penso mas está agora sempre presente.
Gosto do meu inquilino...

quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Trapo hormonal

Acabei de sentir a minha primeira crise de grávida. Desde Domingo deixei de ter apetite, estranhei. Depois não acordei cedo como agora costumo. Há dois dias deu-me uma pontada na barriga e pensei: Morreu. Andei ontem o dia todo a pensar: será que isto é uma crise de grávida? Terei alguma razão para estar cismada?
Hoje acordei e senti-me pior da infecção urinária e resolvi ir ao Hospital. Fui e lá para além de dizer ao médico o que estava a sentir, resolvi partilhar com ele a minha cisma. Imediatamente me respondeu que ali não se tratavam cismas mas doenças, que eu era livre de ir a um médico particular fazer uma ecografia. E já agora "off record" que lhe confessasse que não tinha sentido nada relativamente à infecção urinária e que só tinha dito aquilo porque queria fazer uma ecografia. Fiquei ofendida e disse-lhe que não. Que se eu quisesse ir ali inventar coisas para fazer uma ecografia ter-lhe-ia dito que estava cheia de dores ou que tinha tido uma hemorragia, que se ele não curava cismas estava no direito dele, ele é que sabe, ele é que é o médico mas eu não estou a mentir. Depois ele disse qualquer coisa como "de qualquer maneira não precisa de pedir porque nós fazemos sempre". Desatei a chorar até agora. Chorei durante umas duas horas. Chorei a consulta toda por mais que ele me dissesse que estava tudo bem, que me tenha dito que eu não tinha motivos para estar triste, etc., etc. A minha primeira ecografia foi triste. Não vi nada no ecrã. Manchas cinzentas onde o médico apontava os olhos, os braços... Por mais que secasse os olhos não vi nada. Abri torneira, saí do hospital a chorar, entrei em casa a chorar, deitei-me chorei, chorei, chorei. Eu acho que ele foi um bocado bruto. Eu detesto mentir e não menti. Mostrei-lhe o antibiótico que a médica do centro de saúde me tinha receitado. Deu-me a sensação que só aí é que acreditou que eu não tinha inventado tudo... Eu acho que ele foi um bocado bruto. Depois arrependeu-se e tentou ser simpático mas eu já tinha aberto a torneira e não parava. Mas porque é que este homem não se limitou a ver se eu tinha alguma infecção e não tendo mandava-me para casa e pronto. Precisava de me chamar aldrabona? Nunca ouviu dizer que as grávidas são mais sensíveis? Ou a psicologia para ele é uma ciência tão válida como a cartomancia? Que pôrra, mil vezes que não tivesse feito a puta da ecografia. Bruto!
Talvez eu seja demasiado sensível, talvez eu nem tenha perfil para ser mãe. Pensei, se reajo assim agora como reagiria se tivesse um aborto? Ou como vou reagir no dia do parto? Ou quando a criança nascer e não parar de chorar?

domingo, 10 de Agosto de 2008

O feijão tirano

Como é que algo tão pequeno conseguiu em tão pouco tempo mudar em mim atitudes e comportamentos que me acompanham há anos ou desde sempre?

Dormir: não me lembro se algum dia dormi assim tão bem. Uma hora ou duas para adormecer à noite e de manhã um sono poderoso. Agora nem me lembro por vezes de me estar a despir, adormeço imediatamente sem notar que estou com sono. Acordo sem despertador às sete e pouco da manhã...

Trabalho: Percebo agora o que sofrem os malandros. Três da tarde, olho para o relógio e bufo... Como poderei aguentar mais duas ou três horas...? Domingo à tarde sentada no jardim. Olho para as ervas daninhas sem as conseguir ameaçar, dão-me sono... Cozinhar? Que frete... Lavar a louça? Há voluntários?... Trabalhos manuais? Cansa muito... Hoje cansei-me de morte a desenvencilhar uma extensão. Tive de repousar de seguida...

Este feijão chegou e já manda. E eu ando para aqui... A fazer-lhe as vontades.

A minha barriga


quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Consolos de grávida


Este fim de semana fui uma grávida consolada. Estive debaixo de uma cerejeira a comer cerejas amarelas, doces como caramelos, apanhadas por três machos da minha tribo, um dos quais o progenitor, empenhados na sobrevivência da espécie. Depois pus-me debaixo de uma ameixoeira, ameixa doces, amarelas, bem maduras, sumarentas... Que prazer!... E depois foi a vez dos pêssegos...
As grávidas devem lavar bem a fruta porque há sempre a hipótese de um gato tresloucado, revoltado e portador de toxoplasmose, ter subido para cima da árvore, ter cagado em cima de uma ameixa e eu apanhar a toxoplasmose!
Depois foi os peixinhos do rio! Fritinhos, com uma bela salada de alface tomate. Que maravilha! As grávidas não devem comer saladas em restaurantes porque apesar de eu ter trinta e cinco anos, ter-me fartado de dar beijos na boca a gatos fedorentos e nunca ter tido contacto com a toxoplasmose, agora posso ter o azar de comer uma alface onde um gato portador cagou, que por acaso foi mal lavada... Bem eu cumpro as regras não se assustem! Esta alface estava cheia de vinagre!
E o banhito no rio foi o melhor. Nadei naquela água temperada sentindo o meu feijão a crescer dentro de minha barriga. Eu a nadar no rio, ele a nadar dentro de mim...

quinta-feira, 31 de Julho de 2008

O feijão chupista

Aqui está ele dentro de mim a construir a casa que habitará nos próximos meses. Deita abaixo paredes, constroi outras, não pede autorização para usar os materiais da senhoria. Usa e abusa das minhas reservas vitamínicas. Não tem tempo a perder. É seguro de si, sabe o que quer: a vida.

sábado, 26 de Julho de 2008

Estou feliz

Como descrever este aparente estado de origem hormonal? Um sorriso nos lábios e uma serenidade africana. Ainda há dias chorava baba e ranho com o meu ordenado em atraso e agora quando penso nisso digo logo uma frase ditada pela minha nova hóspede, a hormona brasileira: "tudo se arranja..."
Tenho dois novos sentidos: o olfacto e o paladar. Qualquer coisa com o mesmo nome que pensem ter experimentado esqueçam. Nada tem em comum. É um novo universo de odores e gostos que se abre. Comi há dias uma salada que parecia mais ser um prato de anchovas! Que intensidade!

Vaporeti

A minha mãe contou-me que uma senhora amiga dela que mora numa minúscula casa numa ilha comprou uma "vaporeti" por 400 contos!
Ontem acordei de noite, sonolenta, e dei por mim a pensar: Quem é que me vendeu esta "vaporeti"? Não faço ideia para que serve nem imagino o quanto me vai custar...

Até que a morte nos separe

Agora eu estou grávida. Volto-me para trás. Começo a andar de costas. Vejo a estrada a afastar-se, viro-me de frente, vejo a estrada a aproximar-se. É agora. Mais um ensaio nesta triste existência, mais uma tentaiva de fazer alguma coisa. Será que desta vez me saio bem? Desta vez não posso retornar no caminho, mudar de precurso, abandonar... Desta vez é para sempre, até que a morte nos separe. Sim, pela primeira vez na minha vida. Até que a morte nos separe.